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Parábola da Figueira Seca

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais: 3.1. Endereço Bíblico; 3.2. Contexto Bíblico. 4. A Figueira Amaldiçoada: 4.1. Relação entre Folhas e Frutos; 4.2. A Descarga de Fluidos Magnéticos; 4.3. O Conhecimento das Leis da Natureza. 5. Simbologia da Figueira: 5.1. Pessoas que Aparentam o Bem; 5.2. Pessoas que Podem ser Úteis e não o São; 5.3. Médiuns que se Desviam de sua Missão. 6. Outras Correlações: 6.1. Esterilidade é Nota Destoante; 6.2. Uma Instituição Religiosa também Pode ser Considerada uma Figueira Seca; 6.3. Conhece-se a Árvore pelos seus Frutos. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é refletir sobre a simbologia que figueira seca encerra. Para isso, verificaremos o endereço bíblico, o aspecto científico da morte da figueira e alguns tipos de símbolos que podemos extrair do tema.

2. CONCEITO

Parábola. Argumento que consiste em aduzir uma comparação ou um paralelo, como quando Sócrates afirma que os governantes não devem ser escolhidos por sorteio, assim como não são escolhidos por sorteio os atletas para uma competição. É assim que Aristóteles ilustra essa noção. Sentido análogo encontra-se nos Evangelhos (cf. Marcos, 12, 1).

 

Figueira. Nome vulgar da Fícus carica, pequena árvore (por vezes reduzida a arbusto) caducifólia, da família das Moráceas e subfamília das Artocarpoídeas, com copa ampla, ritidoma cinzento-claro por fim gretado, folhas grandes, verde-escuras, pubescente-ásperas, mais ou menos palmatilobadas, e sícones (figos) com 3-9 cm, de globosos a oblongo-piriformes, verdes, acastanhados ou violáceo-anegrados. É originária da Região Mediterrânea e frequentemente cultivada em Portugal em sítios com nível freático pouco fundo e de clima bastante quente e seco no verão, aparecendo por vezes subespontânea nas fendas das rochas e dos muros velhos. (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura)

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

3.1. ENDEREÇO BÍBLICO

No dia seguinte, saindo eles de Betânia, teve fome – vendo ao longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se, porventura, acharia nela alguma coisa. Aproximando-se, nada achou senão folhas; porque ainda não era tempo de figos. Disse-lhe: Nunca jamais coma alguém fruto de ti; e seus discípulos ouviram isto.

Quando chegava a tarde saíram da cidade. Ao passarem de manhã, viram que a figueira estava seca até a raiz. Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Olhe, Mestre, secou-se a figueira que amaldiçoaste! (Marcos, XI, 12-14 19-21.)

3.2. CONTEXTO BÍBLICO

A Parábola da Figueira Seca faz parte da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O título bíblico é Figueira Seca: a Purificação do Templo. Nessa passagem, Jesus expulsou os vendilhões do templo, ensinando que a sua casa é casa de oração e não de perdição.

Jesus exalta, também, a fé em Deus. Ele diz: “Tendes fé em Deus; porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito”.

Ainda: “Por isso vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis, e tê-lo-eis; e quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai que está nos céus  vos perdoe as vossas ofensas; mas, se vos não perdoardes, vosso Pai que está nos céus também não o perdoará”. (Marcos, 11, 1 a 26)

4. A FIGUEIRA AMALDIÇOADA

4.1. RELAÇÃO ENTRE FOLHAS E FRUTOS

Na antiga Palestina, diziam que os primeiros brotos de frutos da figueira aparecem dois meses antes das folhas. Nesse caso, mesmo não sendo época de figos, a figueira já tinha estrutura para, mesmo fora de época, possuir frutos. Cristo se baseia nessa premissa para lançar uma “praga” à figueira.

4.2. A DESCARGA DE FLUIDOS MAGNÉTICOS

A morte de uma árvore pode, também, estar conectada ao uso do magnetismo. Observe que Jesus, pelo seu magnetismo, destruiu as células prejudiciais e causadoras de enfermidades – curas dos dez leprosos, a mulher que sofria de hemorragia. Poderia também, destruir as células das árvores. (Schutel, 1979, p. 27 a 32)

4.3. O CONHECIMENTO DAS LEIS DA NATUREZA

Jesus, conhecedor das leis da natureza, e sabendo que ela iria morrer, disse-lhe para não dar mais frutos. Não foi ele que matou a figueira, mas ela estava a definhar. Não se pode contrariar a lei da natureza.

5. SIMBOLOGIA DA FIGUEIRA

5.1. PESSOAS QUE APARENTAM O BEM

A figueira seca é o símbolo das pessoas que apenas aparentam o bem, mas na realidade nada produzem de bom. Pode-se falar dos oradores que possuem o brilho da palavra, mas falta-lhes a solidez dos argumentos, pois agradam mais aos ouvidos do que ao exame da pura razão. As pessoas do auditório, depois de ouvirem as suas palavras, dizem: “Que proveito tiramos disso?” Não nos serviu para nada.

5.2. PESSOAS QUE PODEM SER ÚTEIS E NÃO O SÃO

Pessoas, utopias, sistemas vazios e doutrinas sem base sólida fazem parte dessa relação. Falta-lhes a verdadeira fé, a fé que penetra no imo do ser e faz vibrar o seu coração.  Essas pessoas são árvores frondosas, mas sem frutos, e é por isso que Jesus as condena à esterilidade, pois dia virá em que ficarão secas até à raiz. “Isso quer dizer que todos os sistemas, todas as doutrinas que não produziram nenhum bem para a humanidade, serão reduzidas a nada; e que todos os homens voluntariamente inúteis, que não se utilizaram os recursos de que estavam dotados, serão tratados como a figueira seca”. (Kardec, 1984, cap. XIX, item 9)

 

5.3. MÉDIUNS QUE SE DESVIAM DE SUA MISSÃO.

 

Os médiuns, como intérpretes dos Espíritos, são como árvores que devem suprir o alimento espiritual de seus irmãos. A sua faculdade mediúnica foi dotada para esse fim. Multiplicam-se, de maneira a que o alimento seja abundante. “Espalham-se por toda parte, em todos os países, em todas as classes sociais, entre os ricos e os pobres, os grandes e os pequenos, a fim de que em parte alguma haja deserdados, e para provar aos homens que todos são chamados”. Desviam-se, no entanto, de seu fim, colocando-se a serviço de coisas fúteis e prejudiciais, ou dos interesses mundanos. (Kardec, 1984, cap. XIX, item 10)

6. OUTRAS CORRELAÇÕES

6.1. ESTERILIDADE É NOTA DESTOANTE

Com o tempo, a obra estéril desaparece. Jesus está, nesta passagem evangélica, chamando a nossa atenção para as boas obras, não de aparência, mas de real valor para a Humanidade. O verniz da caridade nada vale, pois a salvação da alma está presa ao essencial, não ao que aparentamos ser.

6.2. UMA INSTITUIÇÃO RELIGIOSA TAMBÉM PODE SER CONSIDERADA UMA FIGUEIRA SECA.

Um Centro Espírita, se não servir de lenitivo aos que o procuram, pode se tornar uma “figueira seca”, pois deixou de atender às necessidades de seus frequentadores. Por isso, cada um de seus integrantes deve se sacrificar para que o todo prevaleça sobre as suas opiniões, e no caso do Espiritismo, os princípios doutrinários devem sempre estar em primeiro lugar.  

6.3. CONHECE-SE A ÁRVORE PELOS SEUS FRUTOS

Não é o tamanho, a configuração, as ramagens, os rebentos verdes, as pontas ressequidas, o aspecto brilhante, a vetustez do tronco, a fragilidade das folhas, o aroma atraente. Não é pela aparência exterior, mas pelos frutos, utilidade e produção. O que realmente vale é a substância de nossa colaboração no progresso comum, pela importância de nosso concurso no bem geral. (Xavier, s.d.p., cap. 7)

Por isso, não só aspecto agradável, mas igualmente utilidade viva; não apenas flores, mas frutos; não somente ensino continuado, mas igualmente demonstração ativa; não só teoria excelente, mas também prática santificante.

7. CONCLUSÃO

A vida de aparência caridosa pode enganar aos homens, pode até fazer prosélitos, mas não consegue ludibriar a Deus, que é eminentemente sabedoria e justiça. Esta é a lição que devemos extrair dessa parábola.

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

SCHUTEL, C. Parábolas e Ensinos de Jesus. 11. ed. São Paulo: O Clarim, 1979. 

XAVIER, F. C. Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, [s.d.p.]

São Paulo, 22 de fevereiro de 2011

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por Sérgio Biagi Gregório




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