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Liderança e o Inconsciente do GrupoSérgio Biagi Gregório
A liderança, segundo Bento,
deve ser considerada uma atividade espiritual. A função precípua do líder é a
de servir os seus comandados. Quando, porém, age injustamente, os seus
seguidores imediatamente o percebem. Este fato pode desencadear
inconscientemente a apatia e a fuga aos deveres, como é verificado em muitas
empresas: os funcionários demoram para fazer o seu serviço, não atendem bem ao
público, vão constantemente ao banheiro, conversam em demasia etc.
Por negligência, vanglória e apego excessivo ao poder, os lideres acabam optando pela arrogância: mandam e desmandam como se tivessem o mundo aos seus pés. Os mais fracos são pisoteados e os aduladores recompensados. Ao criar ao redor de si um enorme desprezo pela entidade humana, impedem que os seus liderados sejam mais ativos. Esquecem-se de que no mundo moderno as empresas são constantemente acossadas pela concorrência. Pergunta-se: como vencer os seus concorrentes se os seus funcionários deixaram de ser criativos? Toda a organização deve estar constantemente se renovando. Quando isso não ocorre, a culpa é dos líderes. Muitos deles não delegam responsabilidade aos seus subordinados, preferindo fazer tudo sozinho. Em realidade não é ele que deve fazer as coisas, mas ser o elemento que estimula e distribui o trabalho, de acordo com a capacidade e o interesse de cada colaborador. O que adianta colocar alguém na recepção da empresa, se esta pessoa não gosta de estar em contato com outras pessoas? Mudar o inconsciente do grupo não é tarefa fácil. O inconsciente (ou subconsciente) é o arquivo oculto de nossa mente, tanto das coisas boas como das más. Lá estão guardadas as nossas alegrias como também os nossos recalques e as nossas mágoas. Os nossos desafetos para com os nossos chefes estão ali escondidos, mas não percebemos que ali estão. Como atacar, arrancar algo que não vemos, que não percebemos de imediato? É desse inconsciente que muitas vezes brota o desânimo, a não-cooperação, o não-serviço espontâneo. O líder não é o dono da empresa; encontra-se nela para conduzir almas. Caso não queira ter problemas, deve deixar de ser líder, pois sua função é resolvê-los. Embora possa ouvir as sugestões de seus liderados, a última palavra é sempre dele. Se optar por deixar todos expressarem os seus pontos de vistas, quer sejam agradáveis ou não, muito lucrará com isso, pois é da discussão que nasce a luz. Na condição de líder, saibamos estimular as boas idéias e rechaçar as más. A teoria é uma coisa; a prática, outra? O líder deve se mostrar em público o que é privadamente. O que disse, em silêncio, ao pé de seu ouvido, deve também dizê-lo publicamente. É um erro crasso ser algo intelectualmente e o oposto na ação externa. A transparência é o melhor antídoto contra o desestímulo do grupo. Embora o líder não possa agradar a todo o mundo, deve se mostrar coerente e justo em suas decisões. Nada de pusilanimidade, mas um duro trabalho na execução dos próprios deveres. A liderança é uma atividade espiritual. Saibamos honrá-la com todas as forças do nosso caráter e da nossa personalidade.
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