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Julgamento Impede a Criatividade

Sérgio Biagi Gregório

O ser humano tem por hábito emitir juízos de valor. Apesar da advertência de Jesus sobre o não julgar para não ser julgado, ele continua na sua saga de avaliar o comportamento do seu próximo. Vemos o cisco no olho do outro e não percebemos a trave em nosso próprio. Achamo-nos sempre com razão e damos mais importância àquilo que é objeto de nossa preocupação, esquecendo-nos de que o nosso próximo pode estar fazendo mais no campo do bem do que nós mesmos. Esta atitude impede que a nossa criatividade possa se expandir com mais eficiência.

O julgamento que fazemos das coisas e das pessoas não altera o caráter intrínseco que elas possuem. Acreditar que o mundo era plano não o tornou plano. Do mesmo modo, o julgamento antecipado das coisas vai impedir a mudança das nossas percepções, porque permanecemos num padrão viciado, estagnado e cômodo do pensamento. Observe a vida das pessoas não apenas bem-sucedidas mas profundamente plenas: elas transcenderam intuitivamente as verdades aceitas linearmente e dirigidas pelo passado.

Einstein só foi Einstein porque rompeu com um modelo preestabelecido de conhecimento. Martin Luther King não sabia os detalhes do modo como a igualdade entre brancos e negros se manifestaria, mas tinha uma premonição de como isso seria possível. Thomas Edison experimentou mais de 10.000 materiais diferentes antes de descobrir como fazer um filamento para o bulbo da lâmpada elétrica. Libertar a mente das amarras do passado requer a passagem para o pensamento não-judicativo e imaginativo. A pesquisa da criatividade mostrou repetidas vezes que o não-julgamento é a chave da geração de idéias.

A metáfora da navegação é um exemplo plástico desse nosso raciocínio. Para empreender uma viagem, o capitão exige o levantamento das condições e dos equipamentos da embarcação. Somente depois de tudo avaliado, parte para a sua jornada. O passado só lhe interessa para saber em que posição se encontra em alto mar. No restante, deverá tomar uma decisão de momento. Se tudo é calmaria, vai tranqüilo, mas quando uma tormenta aparece, tem que tomar uma decisão instantânea.

Para quem não tem um norte, qualquer porto é factível. Sem um propósito que nos impulsione na direção do futuro, orientando nossas escolhas, somos forçados a voltar aos julgamentos.

Fonte de Consulta

LAND, George e JARMAN, Beth. Ponto de Ruptura e Transformação: Como Entender e Moldar as Forças de Mutação. Trad. de Adail Ubirajara Sobral. São Paulo: Cultrix, 1995.

 

São Paulo 8/12/2007

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