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O Indivíduo e o GrupoSérgio Biagi Gregório
Um grupo deve decidir tudo por
unanimidade. A votação nem sempre mostra o consenso. É preferível
discutir mais e esperar por uma oportunidade melhor do que impor um ponto de
vista, pois isto fere a suscetibilidade das pessoas. Para obter a
unanimidade, os membros do grupo devem fazer concessões, ou seja, os mais
fortes devem diminuir o ímpeto de monopólio e os mais fracos esforçar-se por
mais espaço nas discussões e debates. A formação de grupo-análise,
uma espécie de feedback do comportamento, ajuda sobremaneira a
participação consciente do indivíduo no grupo.
Todo o indivíduo é sumamente importante para o grupo. É um erro grave deixar alguém marginalizado, porque destrói a natureza humana. A relação entre o indivíduo e o grupo pode ser comparada ao átomo social, ou seja, o tecido de relações do indivíduo com as outras pessoas. Nesse sentido, o lixeiro e o Presidente da República, embora exerçam funções distintas, cooperam para o equilíbrio sócio-econômico de um país. Fazer parte de um grupo não é ter o nome listado numa ata, mas contribuir assiduamente com idéias e ações concretas. Participar de um grupo é comprometer-se com aquilo que foi decidido. E uma vez tomada uma decisão – após as devidas considerações – não violar a regra, sob pena de mexer na unidade preestabelecida. Um grupo coeso exige de seus membros respeito a suas normas, fidelidade a seus objetivos, estima mútua e espírito de sacrifício. Nesse caso, após uma iniciação, que é a área de segredo do grupo, todos devem carregar a sua bandeira, ou seja, defender ardentemente o que foi proposto e aceito. “Não há líder, há liderança”. A liderança é a permissão que um grupo autônomo dá a cada um de seus membros para assumir a regulação do conjunto (coordenação do grupo) na ocasião em que a situação corresponde às aptidões específicas de cada um deles. Esse tipo de liderança é denominado de liderança emergencial, para significar que a emergência faz o líder. Não há sentido falar de qualidades naturais de um líder: só a circunstância dirá que membro do grupo, naquela ocasião, é o mais indicado para assumir a liderança. Em cada momento, a liderança se corporifica em cada um dos membros do grupo. Os que se intitulam líderes naturais devem, portanto, revisar este conceito. Quem sabe não estão fazendo o papel de caudilhos, condutores e chefetes, uma vez que não permitem que a suposta liderança transite pelos membros do grupo? Eles esquecem-se de que a escolha do líder emergencial, em geral, é unânime, espontânea e sem discussão, como se o grupo tivesse tido um insight: parece que todos os membros deslocam os seus olhares para uma única pessoa. Estamos nos preparando para assumir a liderança emergencial? E se formos indicados para desempenhar uma função de comando, em que se exige muita responsabilidade? Aceitaremos o cargo (e o encargo) ou deixaremos para os outros? Fonte de Consulta LIMA, Lauro de Oliveira. Treinamento em Dinâmica de Grupo: No Lar, na Empresa, na Escola. 2.ed., Rio de Janeiro: Vozes, 1970.
São Paulo, 24/5/2005
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