Diretoria Executiva e Bem Comum
Sérgio Biagi Gregório
Platão descreve no livro
A República o estado ideal e indica as causas da decadência que fazem com
que da cidade ideal possa-se gradualmente chegar à tirania, isto é, à pior das
formas de governo. Aristóteles começa por afirmar que o homem é um animal
naturalmente social. Segundo ele, os dons que a natureza deu aos indivíduos só
podem desabrochar através do contato social.
A palavra República vem do latim res (coisa) publica
(pública). Quando nos referimos à república queremos dizer “tomar conta da coisa
pública”. Tomar conta da coisa pública é o objetivo central da política com P
maiúsculo, pois seu fim último é atingir o bem comum. Santo Tomás de Aquino, na
sua Suma Teológica, escreve: “Finis politica est urbanum bonum” (o fim
da política é o bem comum). Mas o que se entende por bem comum? Quem melhor o
definiu foi o Papa João XXIII, nos seguintes dizeres: “O Bem comum consiste no
conjunto de todas as condições da vida social que consintam e favoreçam o
desenvolvimento integral da personalidade humana”.
Qual é o objetivo central da composição de uma Diretoria Executiva? Qual é a
função de cada um de seus membros? Presidente? Vice-presidente? Secretário?
Tesoureiro? Conselheiro fiscal? E os demais colaboradores? Não é a obtenção do
bem comum?
A obtenção do bem comum, através da Diretoria Executiva, depende da
responsabilidade de cada um de seus membros. Há um ditado que diz: “Ninguém tem
o monopólio da verdade, nem a exclusividade do erro”. Na formação de uma
Diretoria Executiva, cada um de seus membros tem uma cota de responsabilidade.
Acontece que não se delega responsabilidade; a pessoa é que deve se sentir
responsável pelas suas tarefas. Tenhamos em mente o encargo e não simplesmente o
cargo.
De acordo com o seu Estatuto, o Centro Espírita Ismael é uma organização
religiosa, filantrópica e cultural. Cabe-lhe a tarefa de estudar, praticar e
difundir os princípios doutrinários, codificados por Allan Kardec. Para tanto,
deve criar cursos especializados, congregar jovens, promover sessões de
intercâmbio com o mundo espiritual, organizar e manter biblioteca e livraria de
obras espíritas e espiritualistas etc.
Martha Mendonça, em recente artigo na revista Época (n.º 424 –
01/07/2006), cujo título de capa é "O Novo Espiritismo", relata que, segundo
dados oficiais, há aproximadamente 20 milhões de espíritas no Brasil. Diz,
ainda, que o Brasil é um exportador de conhecimentos espíritas, principalmente
através de Divaldo Pereira Franco e Raul Teixeira, por suas palestras no
exterior, particularmente nos Estados Unidos. Esta cifra mostra que a freqüência
de novos adeptos, nos Centros Espíritas, deverá necessariamente aumentar.
À Diretoria Executiva cabe prever e procurar atender a esse aumento de demanda.
Por isso, há uma responsabilidade conjunta entre freqüentadores, colaboradores e
membros da Diretoria Executiva. É esse conjunto que forma a imagem não só do
Centro Espírita como também do Movimento Espírita.
Essa imagem não é tangível, contudo permanece no subconsciente de cada
freqüentador e é transmitida de pessoa para pessoa. Suponha que alguém vá a um
Centro Espírita e seja mal atendido. Ele guardará na memória, mesmo que de forma
inconsciente, essa má impressão e, poderá, ao se encontrar com outra pessoa,
expressá-la publicamente. Diz-se que má notícia é contada para 20 pessoas; a
boa, somente para 5. É conveniente, para o bom êxito da organização, que o
freqüentador saia sempre com uma boa impressão.
Quer sejamos membros da Diretoria Executiva ou simples colaboradores,
esforcemo-nos em prover o melhor atendimento ao público. Somente assim seremos
capazes de projetar, no espaço e no tempo, a melhor imagem do Centro e do
Espiritismo.
São Paulo, 19/7/2006
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