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Vida e Morte1. CONCEITO DE VIDA Vida é o conjunto dos fenômenos de toda a espécie (particularmente de nutrição e de reprodução), que, para os seres que têm um grau elevado de organização, se estende do nascimento (ou produção do germe) até a morte (1). Não existe uma definição suficiente de vida. 2. CIÊNCIA E FILOSOFIA Qual a essência da vida? A esta pergunta filosófica a ciência ainda não pode responder, senão por hipóteses diversas. Implica outras perguntas: de onde veio a vida? Qual a origem das diversas espécies? Em Platão a alma preexiste ao corpo. Observe que Aristóteles considerou a alma como uma manifestação do logos (=o princípio da inteligibilidade; a razão), e subdividiu-a em alma vegetativa (a alma das plantas), em sensitiva (a dos animais), e em racional (a do homem). A alma racional, pensante para os gregos, é o Nous, o espírito (2). 3. CARACTERES DA VIDA O primeiro caráter da vida é a ocupação - viver é fazer, praticar. Mas a ocupação é, antes de tudo, preocupação (3). 4. EROS E THANATOS Binômino imaginado por Freud na sua última teoria dos “instintos” a partir do nome de duas divindades gregas, Eros (“desejo amoroso”) e Thanatos (“a morte”) (4). 5. ASPECTO CULTURAL O Dr. Frank Mahoney, professor de Antropologia da Universidade do Havaí, mostrou a diferença entre a cultura americana e a da sociedade Micronésia, a dos Trukeses. Os americanos negam a morte e o envelhecimento; os habitantes das ilhas Truk (Pacífico) ratificam-na. Para estes a vida termina aos 40 anos de idade e a partir daí começa a morte (5). 6. COM RELAÇÃO À EXISTÊNCIA HUMANA - Como início de um ciclo da vida: a morte refere-se à imortalidade. Observe, em Platão, a separação da alma e do corpo. - Como fim do ciclo: refere-se aos existencialistas. - Como possibilidade existencial: a morte está presente em cada instante de nossa vida (6). 7. ENCARNAÇÃO E DESENCARNAÇÃO Na encarnação há a ligação do Espírito ao princípio vito-material do germe. A vida começa no ato da concepção. Negam-se, por assim dizer, o aborto, o suicídio, as guerras e a pena de morte. A morte é o desligamento do Espírito pelo afrouxamento dos laços que o prendem. 8. A EXISTÊNCIA FÍSICA Passagem por este mundo de provas e expiações com a finalidade de expiar o passado; submeter-se a nova prova para a evolução do Espírito, ou, ainda, em missão redentora da humanidade. 9. DEIXAR OS MORTOS O CUIDADO DE ENTERRAR OS MORTOS Esta passagem evangélica mostra o nosso cuidado para com a vida espiritual, a verdadeira vida. Há muitos que estão vivos (materialmente) e mortos espiritualmente. É um tema para vasta reflexão em nosso caminho da vida. A vida não se encontra feita, ela tem de ser feita. 10. ALTERNATIVAS DA HUMANIDADE COM RELAÇÃO À MORTE
- Niilista
- Panteísta Dogmática - Individualidade da alma Espiritismo 11. NOSSA VIVÊNCIA Há que se viver intensamente cada momento de nossa existência, acatando os clamores de nossa consciência, a fim de que a morte encontre-nos ativos na prática do bem e do amor ao próximo.
VIDA, MORTE E ESPIRITISMO
A vida é o conjunto dos fenômenos de toda a espécie (particularmente de nutrição e de reprodução), que, para os seres que têm um grau de organização, se estende do nascimento (ou produção do germe) até a morte. A morte é a cessação da vida e manifesta-se pela extinção das atividades vitais: crescimento, assimilação e reprodução no domínio vegetativo; apetites sensoriais no domínio sensitivo. Qual a essência da vida? A esta pergunta filosófica a Ciência só pode responder através de hipóteses: uma delas é a cadeia evolutiva do germe trazido de outros planetas. A Filosofia tenta penetrar no âmago da questão. Platão, em seu "Mito da Reminiscência das Idéias", informa-nos que a alma preexiste ao corpo. Ela, antes de encarnar, pertence ao mundo das essências - o “topus uranus”. Depois de sua passagem aqui na Terra voltaria ao lugar de origem. A morte pode ser vista sob vários ângulos: 1.º) como ciclo de uma nova vida - tese de Platão: a alma, mesmo separada do corpo, continua a sua existência; 2.º) como fim do ciclo - tese existencialista: tudo acaba com a morte física; 3.º) como possibilidade existencial - a morte está presente em todos os instantes de nossa vida. Segundo a Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan Kardec, fazemos parte de uma única população, denominada espiritual. A diferença é que ora estamos encarnados e ora desencarnados. A morte é a mudança do estado de encarnado para o de desencarnado. Contudo, a essência inteligente é indestrutível e continua a existir além-túmulo. Perceber-se vivo é a grande surpresa daqueles que cometem suicídio. As alternativas da humanidade com relação à vida futura variam de acordo com a concepção de vida adotada. Se materialistas, o nada aguarda-nos; se panteístas, a absorção no todo universal; se dogmáticos, a ida para o Céu ou para o Inferno. O Espiritismo fornece-nos uma expectativa racional: somos uma individualidade e continuaremos a sê-la, no mundo dos Espíritos. E lá estaremos, inexoravelmente, sujeitos à lei do progresso. A vida e a morte fazem parte do processo evolutivo do ser. Encaremo-las de forma natural, a fim de vivermos intensamente os instantes de nossa existência. QUESTÕES 1) Qual o conceito de vida? 2) Qual o conceito de morte? 3) Qual o caráter da vida? 4) Quais são as alternativas da humanidade com relação à morte? TEMAS PARA DEBATE 1) Deixar os mortos o cuidado de enterrar os mortos. Comente 2) Qual a essência da vida? 3) Vida, morte e Espiritismo. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA (1) LALANDE, A. Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia. (2) SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. (3) GARCIA MORENTE, M. Fundamentos de Filosofia. (4) LEGRAND, G. Dicionário de Filosofia. (5) KUBLER-ROSS, E. Morte - Estágio Final da Evolução. (6) ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia.
São Paulo, dezembro de 1996 20.ª Aula do Curso de Introdução à Filosofia Espírita: http://www.sergiobiagigregorio.com.br/apostila/introducao-filosofia-espirita.htm |