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A Verdade e o Erro

1. CONCEITO DE VERDADE

Conhecimento é o reflexo e a reprodução do objeto em nossa mente.

Conhecimento verdadeiro é aquele que reflete corretamente a realidade na mente.

Verdade é o reflexo fiel do objeto na mente, adequação do pensamento com a coisa.

É verdadeiro todo o juízo que reflete corretamente a realidade (1).

2. CONCEITO DE ERRO

O erro é o conhecimento que não reflete fielmente a realidade e por isso mesmo não corresponde à realidade.

O erro consiste no desacordo, na não-conformidade, na inadequação do pensamento com a coisa, do juízo com a realidade (1).

3. O VERDADEIRO E O ERRADO

O que existe na realidade não pode ser verdadeiro ou errado. Simplesmente existe.

Verdadeiros ou errados só podem ser nossos conhecimentos ou juízos a respeito do objeto.

Em outras palavras, verdadeiro ou errado pode ser apenas o reflexo subjetivo da realidade objetiva (1).

4. ESTADOS DA MENTE EM RELAÇÃO À VERDADE

Ignorância: estado de completa ausência de conhecimento do Sujeito em relação Objeto. Ignorar é desconhecer.

Dúvida: estado em que determinado conhecimento é tido como possível. Mas as razões para afirmar ou negar alguma coisa estão em equilíbrio.

Opinião: estado em que o Sujeito julga ter um conhecimento provável do objeto. Afirma conhecer, mas com temor de se enganar.

Certeza: estado em que o Sujeito tem plena firmeza de seu conhecimento em relação ao Objeto. O conhecimento surge como algo evidente (2).

5. FUNDAMENTO ÚNICO

A Filosofia procura, desde suas origens, a verdade diante da falsidade, o ser verdadeiro diante do ser aparente, o reino da certeza diante do reino da ilusão (3).

6. CRITÉRIO DA VERDADE

Evidência: o mais conhecido, divulgado e aceito critério, desde Aristóteles até nossos dias. A palavra “evidência” deriva de “ver” - ato de visão direta e imediata, obtida pela intuição de evidência.

Crítica: a evidência como critério da verdade, embora seja bastante eficiente, não é, entretanto, suficiente, pois a evidência pode ser verdadeira e falsa, real e aparente, ainda que haja no Sujeito o sentimento subjetivo de certeza (1).

Outros critérios: critério da autoridade, critério da ausência de contradição (ou da não-contradição), critério da utilidade, critério da prova, critério da prática etc.

7. A POSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO

Somos capazes de conhecer a verdade? É possível ao Sujeito apreender o Objeto? Respondendo a essas questões existem duas correntes básicas e antagônicas na história da Filosofia:

Ceticismo: defende nossa impossibilidade de conhecer a verdade.

Dogmatismo: defende nossa possibilidade de conhecer a verdade.

8. O FUNDAMENTO DO CONHECIMENTO

Existem várias correntes filosóficas para aqueles que admitem a possibilidade do conhecimento humano:

Empirismo: defende que todas as nossas idéias são provenientes de nossas percepções sensoriais.

Racionalismo Gnosiológico: afirma que somente a razão humana pode atingir o conhecimento verdadeiro.

O Realismo Crítico e o Materialismo Dialético: meio-termo - tanto os sentidos como a razão humana têm participação determinante na origem de nossos conhecimentos (2).

9. VERDADE REVELADA

O conceito de verdade como revelação pode ser encontrado entre os empiristas e teólogos.

Os empiristas defendem que a verdade representa aquilo que, imediatamente, se revela ao homem.

Os teólogos, que a verdade é a evidência manifestada nas coisas e que o princípio de todas as coisas é Deus (2).

10. CARÁTER DA REVELAÇÃO ESPÍRITA

Revelar, do latim revelare, cuja raiz é velum = véu, significa literalmente sair de sob o véu, e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida.

O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a modificação não pode emanar de Deus.

O que caracteriza a revelação espírita é o ser divina a sua origem e a iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho do homem (4).

11. O PARADOXO

A arte de pensar consiste em supor, por um momento, que as coisas poderiam ser o contrário do que são. Supor que o impossível exista é um dos preceitos da arte de inventar.

Comparar: “louco é um homem que perdeu a razão” com “louco é um homem que perdeu tudo, exceto a razão” (5).

 

A VERDADE, O ERRO E O ESPIRITISMO

 Verdade  - é o conhecimento que reflete corretamente  a realidade na  mente. Erro - é o conhecimento  que  não  reflete fielmente a realidade na mente. A realidade é o que é. Ela não  é verdadeira nem falsa. Verdadeiros ou falsos são os nossos  juízos acerca dela.

A  verdade  é uma relação entre o Sujeito e  o Objeto. Embora  haja  várias  espécies de verdade,  tais  como  a  lógica formal, a pragmática, a axiológica  e outras, o seu fundamento  é único: distinguir o erro da verdade. Neste sentido,  estabelecem-se  os argumentos dos vários sistemas filosóficos.  O dogmatismo defende  a  possibilidade  de conhecê-la; o  ceticismo,  não.  Os empiristas  admitem o conhecimento vindo,  exclusivamente,  pelas vias sensoriais; os racionalistas, somente pela razão.

Buscar  a  verdade  é obter  o  verdadeiro  reflexo da realidade.  Para  que  possamos captá-la  globalmente,  temos  de admitir, também, uma realidade espiritual sobreposta à  realidade material.  A  realidade  espiritual é  explicada  pelas  diversas religiões. Assim, no contexto religioso, a verdade apresenta-se como evidência manifestada nas coisas. E o princípio de todas  as coisas  é Deus. Este critério da verdade é problemático.  Quantos não são os fatos que, no primeiro momento, parecem verdadeiros  e que são desmentidos logo após uma análise ampla e profunda.

A Doutrina dos Espíritos, codificada por Allan  Kardec, aceita  a revelação divina. Como pode haver revelações  sérias  e mentirosas, há que se precaver o espírito, deixando-o de atalaia. Deve-se, também, tomar consciência de que o caráter essencial  da revelação  divina  é o da eterna verdade. Conforme já  foi  dito, toda  a  revelação eivada de erros ou sujeita a  modificação  não pode emanar de Deus.

A revelação espírita apresenta-se com duplo caráter: de um lado, há a iniciativa dos Espíritos e, de outro, o trabalho do homem.  Por  isso, na sua elaboração, o Espiritismo  procedeu  do mesmo  modo  que  as  ciências  positivas,  aplicando  o método experimental. Ainda mais, um mesmo problema foi enviado a  vários médiuns, em todo o mundo, a fim de se alcançar  a  universalidade do conhecimento.                          

A  construção rigorosa dos princípios doutrinários  dá-nos condições de melhor conhecer a realidade que nos absorve.  De acordo  com  esses  postulados,  captamos  as  verdades  que  nos libertam e distanciamo-nos dos erros que nos escravizam.

QUESTÕES

1)  Qual o conceito de verdade?

2)  Qual o conceito de erro?

3)  Quais os estados da mente com relação à verdade?

4)  Qual o caráter da revelação espírita?

TEMAS PARA DEBATE

1)  Há verdades reveladas?

2)  “A arte de pensar consiste em supor, por um momento, que as coisas poderiam ser o contrário do que são”. Comente.

3)  Captarmos as verdades que nos libertam e desviarmo-nos dos erros que nos escravizam. Comente.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

(1) BAZARIAN, J.  O Problema da Verdade.

(2) COTRIM, G.  Fundamentos da Filosofia.

(3) VITA, L. W.  Compêndio de Filosofia.

(4) KARDEC, A.  A Gênese.

(5) GUITTON, J.  Nova Arte de Pensar.

São Paulo, dezembro de 1996.

8.ª Aula do Curso de Introdução à Filosofia Espírita: http://www.sergiobiagigregorio.com.br/apostila/introducao-filosofia-espirita.htm

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por Sérgio Biagi Gregório




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