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Real e Irreal1. CONCEITO DE REAL Na hodierna terminologia filosófica, o termo “real” designa, via de regra, o ente, o que existe em oposição tanto ao que é apenas aparente quanto ao que é puramente possível (1). Existe em si independentemente de nossa representação e de nosso pensamento. 2. VÁRIAS REALIDADES A realidade define-se apenas através de distinções: a realidade seria de preferência o objeto da ciência, e a verdade o da lógica. A realidade opõe-se ao imaginário e ao ilusório, mas sem estes não a concebemos. A própria alucinação é uma realidade para o alucinado (e uma outra realidade para aquele que o ouve e trata-o). A realidade do poeta, a realidade do cientista, a realidade do músico etc. (2). 3. NOÇÃO DE REAL EM DESCARTES Para Descartes o objeto do conhecimento humano é somente a idéia. Desse ponto de vista torna-se imediatamente duvidosa a existência daquela realidade à qual a idéia parece fazer alusão mas não prova, assim como uma pintura não prova a realidade da coisa representada (3). 4. CAIA NA REAL “Caia na Real”, em linguagem popular, é a expressão que usamos para representar a saída do mundo dos sonhos, das utopias, a fim de vivermos o concreto, e o socialmente aceito e padronizado pelos clichês do pensamento. Se nos perguntarem o que é o real, não saberemos explicitá-lo em toda a sua complexidade, porque nos parece óbvio. Todavia, segundo uma asserção que já se tornou popular, o “óbvio é o mais difícil de ser percebido” (4). 5. CONCEITO DE IRREAL Irreal significa “sem realidade” ou “não real”. A realidade é definível em função do que se considere em cada caso o que é realidade. Assim, se supusermos que a realidade é material, e que só o material é real, então o que não for material será irreal. Não podemos dizer que o irreal seja simplesmente uma negação do real. O irreal é mais “neutro” do que propriamente “irreal” (5). 6. POSITIVO E NEGATIVO, ESSÊNCIA E EXISTÊNCIA Pode-se definir no sentido negativo (oposto ao ser potencial, aparente, possível ) ou no positivo (é real, eqüivale a “é”, “existe”). Para alguns filósofos somente uma essência que implicasse a sua própria existência é verdadeiramente real e todos os outros entes são formas menos completas ou mais imperfeitas da realidade (5). 7. LINGUAGEM Em Heidegger, a linguagem surge, em primeiro lugar, na forma de falatório, como uma das maneiras em que se manifesta a degradação do homem. Em face desse modo não autêntico, a autenticidade parece não consistir na fala nem mesmo em algum idioma, mas sim no “apelo” à consciência (5). 8. ONDAS E PERCEPÇÕES O espectro eletromagnético varia em extensão de ondas de 10-14 a 108 metros, mas os receptores sensíveis à luz nos olhos são percebidos numa faixa de 1/70 do espectro; os ouvidos captam entre 20 a 20.000 vibrações por segundo.(6) Quantas realidades não existem além das fronteiras de nossa consciência? 9. PERCEPÇÃO SENSORIAL E PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL Há o mundo sensível e o extra-sensível. Onde está a realidade? A mediunidade é a faculdade humana que capacita o homem a entrar em contato com o mundo extra-sensorial. Além da matéria não há uma realidade espiritual? Qual é a verdadeira? 10. MONOIDEÍSMO Idéias fixas fazem-nos fugir do “real”. Ficamos dentro de uma redoma. Pensamos que estamos de posse da verdade, mas na maioria das vezes somos envolvidos pelos Espíritos menos felizes. 11. A IMAGINAÇÃO É FÉRTIL Emitindo uma idéia, passamos a refletir as que se lhe assemelham. É possível que estejamos criando imagens mentais que não existem na realidade. 12. EMISSÃO E RECEPÇÃO Nossa mente é emissora e receptora de imagens. Se não cuidarmos da fonte geradora, poderemos irradiar “criações mentais” que nada têm a ver com a verdadeira realidade espiritual.
REAL, IRREAL E ESPIRITISMO
Real - na terminologia filosófica moderna , o termo "real" designa, via de regra, o ente, o que existe em oposição tanto ao que é apenas aparente quanto ao que é puramente possível. Existe em si independentemente de nossa representação e de nosso pensamento. Irreal - Significa “sem realidade” ou “não é real”. A realidade define-se somente através de distinções. Não há uma, mas várias realidades. A própria alucinação é uma realidade para o alucinado e outra para aquele que o trata. Dessa forma, o termo "caia na real" merece certa consideração: na linguagem popular, caracteriza-se pela saída do mundo dos sonhos, da utopia, a fim de vivermos o concreto, o cotidiano e o socialmente aceito e padronizado pelos clichês do pensamento. Mas esta é a verdadeira realidade? A verdadeira realidade não é fácil de ser absorvida. Para alguns filósofos, somente uma essência que implicasse a sua própria existência é verdadeiramente real e todos os outros entes são formas menos completas ou mais imperfeitas da realidade. Para Heidegger, a verdadeira realidade não está na linguagem, que é inautêntica, mas no "apelo" à consciência, que é autêntico. O Espírito André Luiz, no livro Mecanismos da Mediunidade, psicografado por Francisco Cândido Xavier, ao tratar das ondas e percepções, descortina-nos novos horizontes para a compreensão da realidade. Do espectro eletromagnético, que varia em extensão de ondas de l0-l4 a l08 metros, os receptores sensíveis à luz nos olhos são percebidos numa faixa de l/70 do espectro. Significa dizer que há outras realidades além daquelas percebidas pelos nossos sentidos físicos. A mediunidade - percepção extra-sensorial - é a porta para a compreensão da verdadeira realidade. Através dela notamos que tudo é natural, pois, adentrando num mundo que não é percebido pelas vias sensoriais do encarnado, não implica a sua inexistência. Ao contrário, a percepção da realidade espiritual é fonte geradora de mudança de nossa concepção do "eu", do "outro" e do "mundo" que nos rodeia. O conhecimento alicerça-se na mente. Educando-a, convenientemente, estaremos capacitando-nos à percepção de novas realidades, que muito contribuirá para o nosso progresso material e espiritual. QUESTÕES 1) Qual o conceito de real? 2) Qual o conceito de irreal? 3) Qual a noção de real em Descartes? 4) O que significa idéia fixa? TEMAS PARA DEBATE 1) “Caia na real”. Comente. 2) As idéias fixas fazem-nos fugir do real? 3) Real, irreal e Espiritismo. Comente. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA (1) BRUGGER, W. Dicionário de Filosofia. (2) LEGRAND, G. Dicionário de Filosofia. (3) ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. (4) DUARTE Jr., J. F. O Que é a Realidade. (5) PEQUENO DICIONÁRIO FILOSÓFICO. (6) LUIZ, A. Mecanismos da Mediunidade. São Paulo, dezembro de 1996 22.ª Aula do Curso de Introdução à Filosofia Espírita: http://www.sergiobiagigregorio.com.br/apostila/introducao-filosofia-espirita.htm |