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Liberdade e Escravidão1. CONCEITO DE LIBERDADE Sentido Geral - estado do ser que não sofre constrangimento, que age conforme a sua vontade, a sua natureza. Sentido Político - é a faculdade de fazer o que se queira dentro dos limites do direito (lei). Sentido Psicológico e Moral - aquele que fazendo o bem ou o mal age conforme a razão, que aprova (1). 2. LIBERDADE E LIVRE-ARBÍTRIO Liberdade é a capacidade para agir ou não, sem outra intervenção que a da vontade. Nesse sentido, muito genérico, a liberdade confunde-se com o livre-arbítrio ou com a liberdade de indiferença. 3. LIVRE-ARBÍTRIO Livre-Arbítrio quer dizer juízo livre. É a capacidade de escolha pela vontade humana entre o bem e o mal, entre o certo e o errado, conscientemente conhecidos. O livre-arbítrio não quer dizer, de modo algum, que é um querer sem causa, como o pretendem interpretar alguns deterministas, que se opõem à sua aceitação (2). 4. AMBIGÜIDADE DO TERMO A palavra liberdade presta-se a muitos significados: a liberdade nos Estados Unidos é diferente da liberdade na Rússia, como o é também da China. Há, ainda, fatores limitantes da liberdade: físicos - referem-se ao espaço, ao tempo e à possibilidade legal; psicológicos - avarento que morre de fome em cima do dinheiro; econômicos - quero ir ao Canadá, mas não tenho recursos disponíveis (3). 5. O PROBLEMA DA LIBERDADE A problematização da frase “liberdade de um termina quando começa a do outro” deve conter uma análise temporal, espacial e moral (4). 7. CONCEITO DE ESCRAVIDÃO A palavra vem do termo “slav” e referia-se aos prisioneiros eslavos reduzidos à servidão pelos povos germânicos. Caracteriza-se pelo fato de reduzir uma pessoa humana à condição de coisa ou de animal, como propriedade absoluta de um senhor (5). 8. GRÉCIA ANTIGA A escravidão, na Grécia Antiga, era uma forma de liberdade, pois o inimigo preso devia morrer. Para ficar livre da morte, podia escolher a escravidão (4). 9. CONTRATO SOCIAL DE ROUSSEAU No início de sua obra O Contrato Social, J. J. Rousseau cita uma frase com os seguintes dizeres: “O homem nasce livre, mas em toda a parte se vê acorrentado”. 10. OS VÍCIOS Os vícios limitam os nossos atos livres. São, portanto, uma forma de escravidão, pois tornam-nos dependentes deles (4). 11. O ISOLAMENTO ABSOLUTO Bakunine considerou a liberdade individual como um produto coletivo. Ser livre no isolamento absoluto é um absurdo inventado por teólogos e metafísicos. 12. LEI NATURAL Há homens naturalmente destinados a serem propriedade de outros homens? Resposta: a lei humana que estabelece a escravidão é uma lei contra a Natureza, pois assemelha o homem ao bruto e o degrada moral e fisicamente. Devem-se levar em conta os costumes e a desigualdade natural de aptidões. V. pergunta 829 de O Livro dos Espíritos. 13. A ESCOLHA ENTRE O BEM E O MAL As idéias justas ou falsas que fazemos das coisas levam-nos a vencer ou fracassar, segundo o nosso caráter e a nossa posição social. Achamos mais simples e menos humilhante para o nosso amor-próprio atribuir os nossos fracassos à sorte e ao destino, do que a nós mesmos. Se a influência dos Espíritos contribuem algumas vezes para isso, podemos sempre nos subtrair a ela, repelindo as idéias más que nos forem sugeridas. Ver comentário à pergunta 852 de O Livro dos Espíritos. 14. O EVANGELHO E O FUTURO O Espiritismo, na sua missão de Consolador, é o amparo do mundo neste século de declives em sua história; só ele pode, na feição de Cristianismo redivivo, salvar as religiões que se apagam entre os choques da força e da ambição, do egoísmo e do domínio, apontando ao homem os seus verdadeiros caminhos (6).
LIBERDADE, ESCRAVIDÃO E ESPIRITISMO
Liberdade - estado do ser que não sofre constrangimento, que age conforme a sua vontade, a sua natureza. Em termos políticos, é a faculdade de fazer o que se queira dentro dos limites do direito. Escravidão - caracteriza-se pelo fato de reduzir uma pessoa humana à condição de coisa ou de animal, como propriedade absoluta de um senhor. A palavra liberdade presta-se a muitos significados. Falamos de liberdade política, de liberdade econômica e de liberdade de consciência. A liberdade em Cuba é diferente da liberdade nos Estados Unidos. O termo comporta, também, limitações psicológicas, legais e econômicas. Suponhamos a seguinte situação: ir aos Estados Unidos. Sentido psicológico: estou disposto a me deslocar para aquele país?; sentido legal: o governo americano permite a minha estada?; sentido econômico: conseguido o visto de entrada, tenho recursos financeiros para tal empreendimento? Os atos livres praticados pelo indivíduo podem levá-lo à ampliação ou à limitação de outros atos livres. Caso escolha deliberadamente o vício, haverá um tolhimento da vontade, pois esta estará submetida à necessidade de supri-lo, impedindo a continuidade dos atos livres. A dimensão da moral entra, aqui, como elemento que vai permitir a continuidade dos atos livres, ou seja, a aquisição do estado de liberdade. O estado de liberdade depende do livre-arbítrio, quer dizer, da capacidade de escolha entre o certo e o errado. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, diz-nos que o livre-arbítrio existe no estado de Espírito, com a escolha das provas, e no estado corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que voluntariamente estamos submetidos. Neste sentido, o homem não é fatalmente conduzido ao mal: os crimes que comete não são o resultado de um decreto do destino; será sempre livre para agir como quiser. Nas perguntas 829 a 832, o codificador do Espiritismo tece comentários sobre o problema da escravidão. Relata-nos que toda a sujeição absoluta de um homem a outro homem ë contrária à lei de Deus mas que desaparecerá com o progresso da humanidade. Afirma-nos, também, que a desigualdade de aptidões, por ser natural, deve ser utilizada para elevar e não para embrutecer, ainda mais, o próximo. A perfeita liberdade do Espírito far-se-á pela automatização dos preceitos evangélicos. Empenhemo-nos, pois, no estudo e na vivência dos ensinos deixados pelo mestre Jesus. QUESTÕES 1) O que se entende por liberdade? 2) Qual o conceito de escravidão? 3) Defina livre-arbítrio. 4) Como se explica a ambigüidade do termo liberdade? 5) Qual o pensamento de Rousseau acerca da liberdade? TEMAS PARA DEBATE 1) A liberdade de um termina quando começa a do outro? 2) Os vícios limitam os nossos atos livres? 3) Todos temos o dever de construir a nossa liberdade. Comente. 4) Liberdade, escravidão e o Evangelho. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA (1) LALANDE, A. Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia. (2) LEGRAND, G. Dicionário de Filosofia. (3) BOULDING, K. E. Princípios de Política Econômica. (4) MENDONÇA, E. P. de. A Construção da Liberdade. (5) ÁVILA, F. B. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. (6) EMMANUEL. A Caminho da Luz. São Paulo, dezembro de 1996 24.ª Aula do Curso de Introdução à Filosofia Espírita: http://www.sergiobiagigregorio.com.br/apostila/introducao-filosofia-espirita.htm |