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Aristóteles

"O bem do homem nos parece como uma atividade da alma em consonância com a virtude [...]. Mas é preciso ajuntar 'numa vida completa'. Porquanto uma andorinha não faz verão, nem um dia tampouco."
Ética a Nicômaco

 Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Dados Pessoais. 3. Considerações Iniciais. 4. A Metafísica Aristotélica: 4.1. A Substância; 4.2. Potência e Ato; 4.3. Deus: Motor Imóvel. 5. Lógica: 5.1. Aristóteles foi o Criador da Lógica; 5.2. O Silogismo; 5.3. Os Três Princípios da Lógica. 6. Filosofia Prática: 6.1. Ética; 6.2. Política; 6.3. Poética. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

 

Quem foi Aristóteles? Qual a sua contribuição para a história da filosofia? Por que, ao lado de Sócrates e Platão, é considerado um dos baluartes da filosofia clássica grega?

 

2. DADOS PESSOAIS

 

Aristóteles (384-322 a.C.) nasceu em Estagira, colônia greco-jônia, na península macedônica da Calcídia. Filho de Nicômaco, médico. Ainda criança, ficou órfão de pai e mãe. Quando contava 18 anos (367 a.C.) mudou-se para Atenas, o centro intelectual por excelência, e aí estudou 20 anos sob a orientação de Platão. Aos 50 anos de idade, abriu uma escola denominada de liceu, pela proximidade do tempo de Apolo Liceio. Foi tutor de Alexandre, o Grande. Anos depois, assim como Sócrates, foi acusado e condenado, mas fugiu para não permitir que Atenas pecasse duas vezes por causa da Filosofia. Os seus alunos chamavam-se Peripatéticos, quer porque tinham o costume de passear pelo jardim enquanto estudavam, quer porque o local fosse conhecido por Passeio (Peripatos). (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira)

 

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

 

Aristóteles é, ao lado de Sócrates e Platão, um dos fundadores da filosofia, cuja tarefa foi a de transformar o conhecimento mítico em conhecimento racional. É o esforço de buscar o conhecimento pela própria razão e não por intermédio da religião e dos deuses. Acha que em cada um de nós existe algo natural – a razão -, pela qual se pode descobrir a verdade das coisas.

 

O ponto básico da filosofia de Aristóteles é a sua divergência com relação à "Teoria das Ideias" de Platão. Para Aristóteles, o mundo real é o aqui e o agora.  

A maior parte da obra de Aristóteles sobreviveu sob a forma de tratados ou anotações de aulas. Na origem, as anotações eram destinadas a alunos dedicados, e não a consumo geral, mas acabaram sendo compiladas no século I d.C. por Andrônico Rodes que, depois, foram editadas.  

4. A METAFÍSICA ARISTOTÉLICA 

Para Aristóteles, há a filosofia primeira, ou teologia - visto que trata de Deus e dos seres imutáveis que estão acima das coisas sensíveis - e a filosofia segunda, que é a física - visto que se ocupa da realidade do devir. Andrônico de Rodes, no século I de nossa era, ao arrumar as obras de Aristóteles em uma biblioteca, ordenou os livros da filosofia primeira depois dos de física e se referiu a eles como "os que estão atrás da física". Deste então, a metafísica é aquela parte da filosofia que se ocupa do que está mais além do ser enquanto tal.  

4.1. A SUBSTÂNCIA  

Na tentativa de superar o dualismo platônico entre mundo sensível e mundo inteligível, Aristóteles introduz a noção de sustância.  

Para Aristóteles, substância é aquilo que existe por si mesmo. Aplica-se aos indivíduos concretos: esse lápis, aquele homem... Nisso ele difere de Platão, para quem só o que existe por si mesmo são as ideias, enquanto os objetos sensíveis, ao serem meras cópias das ideias, não existem por si mesmos - existem por elas.  

A substância se distingue dos acidentes. Os acidentes não existem por si mesmos: só têm existência na substância, que lhes serve de substrato ou suporte. A substância é permanente e constitui a essência do indivíduo; os acidentes são mutáveis e só lhe acrescentam a sua peculiaridade: podem mudar sem que o indivíduo deixe de ser o que é.  

4.2. POTÊNCIA E ATO  

A potência é a possibilidade de chegar a ser algo diferente, o ato é o que esse objeto é no presente. O movimento é a passagem da potência ao ato; é a atualização de uma forma que se encontrava em potência. Há uma estreita relação entre a matéria e a forma e a potência e o ato: a matéria é potência, pois nela estão as diferentes possibilidades do ser; a forma á ato. Ou seja, a matéria possui em potência a forma que depois possuirá em ato.  

4.3. DEUS: MOTOR IMÓVEL 

Deus é o primeiro motor imóvel, e Aristóteles argumenta da seguinte maneira. Tudo o que se move precisa de um motor (A é movido por B, esse por C, e assim sucessivamente). Mas é impossível que haja uma cadeia infinita na série dos motores e é preciso que haja um motor que seja o primeiro. E esse motor tem que ser imóvel, para não precisar, por sua vez, ser movido por algo e continuar assim até o infinito. Deus é, de acordo com a concepção aristotélica, o motor imóvel do Universo. Move sem ser movido porque ele é o fim, a causa final, de todos os movimentos; todos os seres do Universo aspiram à imobilidade e à perfeição divinas, embora, por certo, nunca as consigam. Deus não se "move" porque nele não há nenhuma potência que deva se transformar em ato. Em outras palavras: Deus é ato puro, forma sem matéria, e por isso mesmo perfeito, já que não tem nada a alcançar, já que o é em ato. Nesta imobilidade que constitui a sua perfeição, não cabe pensar que crie a matéria - o conceito de criação a partir do nada é alheio ao pensamento grego - nem que intervenha no mundo (imperfeito). Sua única atividade, se é que se pode falar nesses termos, é a atividade imaterial por excelência: o pensamento puro, mas não pensamento sobre outra coisa, e sim pensamento de si mesmo, autocontemplação. Nisso se encontra o gozo da felicidade eterna e é, para os humanos, o ideal perfeito e realizado do sábio.  

5. LÓGICA

 

5.1. ARISTÓTELES FOI O CRIADOR DA LÓGICA  

Na tradição socrática e platônica, Aristóteles defende que só existe ciência (episteme) do universal e necessário. Portanto, se queremos ter um conhecimento científico da realidade, quer dizer, das coisas particulares, o único procedimento válido é relacioná-las necessariamente com o universal: deduzir o particular do universal. É essa ligação, a do particular com o universal, que a lógica nos ajuda a esclarecer.  

Aristóteles efetivamente estabeleceu a ciência da lógica, aperfeiçoando regras universais de raciocínio de modo a auxiliar na busca do conhecimento. 

5.2. O SILOGISMO 

Por silogismo, deve-se entender aquele "argumento no qual, estabelecidas certas coisas, resulta necessariamente delas, por serem o que são, outra coisa diferente das estabelecidas anteriormente". 

Como raciocínio dedutivo, o silogismo contém uma conclusão necessariamente derivada das premissas. No exemplo clássico, a conclusão do julgamento "Sócrates é mortal" deriva das premissas: "Todos os homens são mortais" e "Sócrates é um homem". Curiosamente, no entanto, esse é um silogismo falso do ponto de vista lógico: não tem forma condicional ("Se todos os homens..."), nem as duas primeiras proposições estão ligadas por uma conjunção, nem todos os termos que introduz são universais ("Sócrates" é um termo singular").  

Na forma usada por Aristóteles, um silogismo correto é o que mantém o seguinte esquema: Se A é predicado (é verdadeiro) de todo B e B é predicado de todo C, então A é predicado (é verdadeiro) de todo C.  

5.3. OS TRÊS PRINCÍPIOS DA LÓGICA 

Para Aristóteles, qualquer conceito que passa a fazer parte de um silogismo se subordina ao que lhe considera os três princípios fundamentais da lógica: O princípio de identidade afirma que toda coisa é igual a si mesma (A=A). O princípio de não-contradição diz que é impossível que uma coisa seja e não seja ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto (A não pode ser B e não-B). O princípio do terceiro excluído enuncia que A resultará em B ou em não-B, estando excluída qualquer outra possibilidade.  

Estes três princípios são ao mesmo tempo lógicos e ontológicos, quer dizer, referem-se tanto à linguagem quanto ao ser. Aristóteles defende que constituem o ponto de confluência dos dois.  

6. FILOSOFIA PRÁTICA

 

6.1. ÉTICA

 

Na ética de Aristóteles, a virtude está no meio. Você não deve estar mais à esquerda ou mais à direita. Literalmente, a frase está correta. A sua interpretação, porém, deixa a desejar. Devemos vê-la como o termo médio de uma polêmica e não simplesmente a virtude está no meio. A virtude deve ser construída conforme a discussão for tomando corpo, isto é, passando de um extremo ao outro. Esta noção de ética dá direção à sua política. Diferente de Sócrates e Platão, que é da polis, de Atenas, Aristóteles é o filósofo do Império, do Império de Alexandre, o Grande.

 

6.2. POLÍTICA  

Existe uma estreita ligação entre ética e política, já que não é possível alcançar a felicidade fora do limite da coletividade. O homem é um animal político (zoon politikon) e seu fundamento se encontra na família, no grupo, na cidade, ou no estado, conforme seja o grau de evolução da comunidade a que pertence.  

Contemporâneo como Sócrates e Platão da pólis, a cidade-estado grega, Aristóteles não se inclina tanto por uma forma concreta de governo (seja ela monárquica, aristocrática ou democrática), e sim pela organização racional da comunidade. Essa organização racional é dada pela Constituição. A Constituição transforma a coletividade em um organismo político no qual os cidadãos se vinculam racionalmente entre si por intermédio de leis. 

 

6.3. POÉTICA  

Poética trata da tragédia e da epopéia, do ponto de vista da poiésis, ou produção de obras. Aristóteles afirma que a poesia é imitação (mimésis), embora não se trate de um simples decalque da realidade: nela se recria uma ação na qual se representa o que poderia ocorrer a cada um dos seres humanos.  

Aristóteles recusa a condenação platônica da arte e exalta seu valor como catarsis ou purificação das turbulentas paixões da alma: o espectador se liberta de suas paixões sentido-as imaginariamente. 

7. CONCLUSÃO  

Aristóteles esteve à frente de seu tempo. Ruminou ideias sobre uma gama enorme de temas (ética, política, arte, psicologia...). Em seus estudos, mostra-nos que a virtude não é média, mas média justa e, também, uma disposição a ser adquirida na prática do bem. Reflitamos sobre isso.

 

8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

 

Observação: alguns textos foram copiados integralmente da Temática Barsa (Filosofia).

 

São Paulo, maio de 2013. 




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