Curso de Aprofundamento Doutrinário
Temas Doutrinários - Perguntas e Respostas
Animais, Os
Aprofundamento Doutrinário
Caráter da Revelação Espírita
Centro Espírita
Céu e Inferno
Ciência e Espiritismo
Curso de Aprofundamento
Doutrinário
Depois da Morte
Desenvolvimento Mediúnico
Desertores
Deus
Espírito
Fluidos, Os
Gênese, A
Geração Nova
Kardec e a Codificação:
Perguntas e Respostas
O Livro dos Médiuns
Mediunidade
Missão dos Espíritos
Morte
Obsessão
Ondas e Percepções
Paranormalidade
Perispírito
Prolegômenos
Presciência
Reencarnação
Romance Mediúnico Espírita
Sacrifício e
Espiritismo
Teoria e Prática no Espiritismo
Vícios
Sérgio Biagi Gregório
1) Os cientistas afirmam que os animais são inteligentes. Há
fundamento nas observações abaixo?
1) Betty, um corvo fêmea que, depois de o corvo macho ter
desistido de buscar comida no fundo de um vidro, ela aproximou-se com um pedaço
de arame, dobrou-o na forma de um gancho e enfiou-o no tubo até o fundo,
fisgando o petisco.
2) Os elefantes vivem organizados em grupos sociais ligados
por laços de parentesco e amizade. Eles também velam os mortos em rituais.
3) As abelhas, como acontece com muitos outros insetos, agem
como se guiados por uma mente coletiva, formada por todos os indivíduos da
colméia.
4) Insetos e peixes lembram-se do passado e até aprendem com
ele.
5) Os cachorros conseguem entender frases com verbo e objeto
direto.
6) Bem ensinados, os orangotangos e os gorilas aprendem a
falar por sinais. (Revista Terra)
2) Que relação há entre a inteligência humana e a
inteligência animal?
A inteligência animal é limitada. Para entendê-la, partamos
do seguinte: "todo efeito inteligente tem uma causa inteligente; a grandeza do
efeito é diretamente proporcional à potência da causa". Disto se conclui que a
inteligência animal é da mesma natureza que a humana, apenas diferenciando no
desenvolvimento gradativo. Há, no animal, a atenção, o julgamento, o raciocínio,
a associação de idéias, a memória e a imaginação, que são atributos da
inteligência, mas o seu desenvolvimento está muito aquém daquele conseguido pelo
ser humano. Exemplo: os animais não escrevem, não articulam o pensamento, não
raciocinam etc.
3) Podemos dizer que os animais só agem por instinto?
Não. O instinto domina na maioria dos animais. "Há neles,
portanto, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício é mais precisamente
concentrado sobre os meios de satisfazer às suas necessidades físicas e prover à
conservação". (Pergunta 593 de O Livro dos Espíritos)
4) Os animais têm livre arbítrio?
Não são simples máquinas, mas sua liberdade de ação é
limitada pelas suas necessidades, e não pode ser comparada à do homem. Sendo
muito inferiores a este, não têm os mesmos deveres. Sua liberdade é restrita aos
atos da vida material. A sua escolha é mecânica, por instinto. Na comparação do
homem ao animal, Allan Kardec na pergunta 597 A de O Livro dos Espíritos
diz: "há, entre a alma dos animais e a do homem tanta distância quanto entre a
alma do homem e Deus". (Pergunta 595 de O Livro dos Espíritos)
5) Os animais têm alma?
A alma é um princípio inteligente que independe do corpo
físico. Nesse sentido, o animal a possui, mas em grau diverso daquele observado
no ser humano. Allan Kardec diz: "Há, entre a alma dos animais e a do homem
tanta distância quanta entre a alma do homem e Deus". (Pergunta 597A de O
Livro dos Espíritos)
6) Os animais podem ser médiuns?
A mediunidade é uma faculdade humana. Os animais possuem
percepção extra-sensorial em alto grau. José Herculano Pires, em seu livro
Mediunidade, afirma que somente no ser humano, que é uma síntese perfeita e
equilibrada de todo o processo evolutivo alcançado nos vários reinos da
natureza, com inteligência desenvolvida, razão e pensamento contínuo e criador,
há a possibilidade da eclosão da Mediunidade. Para ele, a Mediunidade é uma
função sem órgão, resultante de todas as funções orgânicas e psíquicas da
espécie. Ele acrescenta: "A Mediunidade é a síntese por excelência, que
consubstancia todo o processo evolutivo da Natureza. Querer atribuí-la a outras
espécies que não a humana é simples absurdo". (1984, pág. 94 e 95)
7) Outras questões:
a) Um animal é mais evoluído que o outro?
b) Qual o limite do respeito humano para com os animais?
c) O que podemos aprender com os animais?
d) Pode o ser humano se alimentar da carne dos animais?
Bibliografia Consultada
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos.
8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
Os Animais São
Inteligentes. Revista Terra. Janeiro de 2004, edição 141.
PIRES, J. H. Mediunidade (Vida e
Comunicação) - Conceituação, da Mediunidade e Análise Geral dos seus Problemas
Atuais. 5. ed. São Paulo: Edicel, 1984.
São Paulo, novembro de 2008.
Sérgio Biagi Gregório
1) O que significa aprofundar?
Tornar fundo ou mais fundo; escavar. Examinar ou investigar a
fundo, ou com minúcia; indagar, pesquisar, inquirir. À luz dos dados
estatísticos, os economistas aprofundaram as razões da crise. Entrar,
penetrar em um assunto, tema, idéia etc., investigando-a a fundo e com minúcia.
(Dicionário Aurélio)
Aprofundar é, em síntese, fazer uma análise mais acurada do
tema proposto. Nos cursos regulares, tais como o Curso de Educação Mediúnica, o
Curso de Introdução ao Evangelho e outros, a abordagem é mais ampla, mais geral.
Neste grupo de estudo, pretende-se rever os mesmos temas, porém com
profundidade, ou seja, com mais vagar, com mais tempo, com mais argumentações e
com mais discussões, possibilitando ao participante do grupo um aprendizado mais
sólido da Doutrina Espírita.
2) Que significa doutrina? E doutrinário?
Doutrina – O sentido mais antigo é o que deriva da sua
etimologia latina doctrina que, por sua vez, vem de doceo,
"ensino". O sentido mais antigo, portanto, é de ensino ou aprendizado do saber
em geral, ou do ensino de uma disciplina particular. Ao longo do tempo perdeu-se
o sentido original e o termo firmou-se como o indicador de um conjunto de
teorias, noções e princípios coordenados entre eles organicamente que constituem
o fundamento de uma ciência, de uma filosofia, de uma religião etc. (Bobbio,
1986)
Doutrinário – O termo indica, em geral, quem obedece
rigidamente aos princípios da própria doutrina, prestando atenção à teoria no
seu sentido abstrato, mais do que no prático.
3) Como pode ser definida a Doutrina Espírita?
Conjunto de princípios, ditado pelos Espíritos superiores, através da
mediunidade. Seus princípios fundamentais são: Deus, Reencarnação, Pluralidade
dos Mundos Habitados, Lei de Causa e Efeito etc.
4) Espiritismo e Doutrina Espírita são a mesma coisa?
Deveriam ser. O Espiritismo é a prática da Doutrina Espírita. Vemo-lo na boca
de muita gente, porém, muitas vezes, carregado de diversos equívocos,
confirmando a frase de José Herculano Pires: "Espiritismo, esse desconhecido,
inclusive dos próprios espíritas". Em linhas gerais, podemos dizer que o
Espiritismo é praticado nos Centros Espíritas. Pergunta-se: quantos são os
Centros Espíritas que realmente se interessam por colocar em prática os
pressupostos básicos codificados por Allan Kardec?
5) No que a Doutrina Espírita difere das outras doutrinas filosóficas e
religiosas?
A Doutrina Espírita é um conjunto de princípios, elaborado com o auxilio dos
benfeitores espirituais que, analisando os mesmos temas de outras religiões,
deu-lhe uma conotação particular, por isso a criação do neologismo "Espiritismo"
e "Espírita". Foi para diferenciar das teses expostas pelo Espiritualismo.
6) Como interpretar a frase: "todo espírita é espiritualista, mas nem todo
espiritualista é espírita"?
Todo espírita é espiritualista. Explicação: espiritualista é o
contrário de materialista; ele crê que existe algo além da matéria.
Mas nem todo espiritualista é espírita. Explicação: nem todo
aquele que crê que existe algo além da matéria pode se dizer espírita. É preciso
que ele, além de crer que haja algo além da matéria, certifique-se dos seus
princípios fundamentais. Sem isso, será apenas um espiritualista tal qual o
budista, o católico, o protestante etc.
7) Faça um resumo da Doutrina Espírita.
Os temas Deus, Espírito e Matéria, os Três
Elementos que compõe o Homem, a Classe dos Espíritos, a
Reencarnação, a Alma depois da Morte, a Comunicação entre
Encarnados e Desencarnados, a Distinção entre os Bons e os Maus e a
Moral dos Espíritos Superiores dão nos uma boa base do que seja a
Doutrina dos Espíritos .
8) Como proceder no exercício do aprofundamento doutrinário?
O participante deste grupo de estudo deve ser um construtor
de conhecimento, ou seja, deve habituar-se a questionar, a indagar sobre o tema
em questão. Comece sempre pelo seu próprio interesse, pela sua motivação
interior, formulando as suas questões-chave para uma melhor compreensão do tema;
posteriormente, responda-as com as próprias palavras. Concluída esta fase,
poderá pesquisar em dicionários, enciclopédias e mesmo nos livros da
codificação.
Bibliografia Consultada
BOBBIO, N. et al. Dicionário de Política. 2. ed. Brasília: UNB, 1986.
FERREIRA, A. B. de H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, [s. d. p.]
Março/2008
Sérgio Biagi Gregório
1) Qual o conceito de caráter?
Caráter pode ser entendido como os traços marcantes da
personalidade. São os traços que identificam uma determinada pessoa. No sentido
da Doutrina Espírita, a palavra caráter refere-se à autenticidade dos
ensinos transmitidos pelos benfeitores espirituais.
2) Que significa revelar?
Revelar – Do latim revelare significa,
literalmente, tirar o véu. Figuradamente, fazer conhecido o que era
ignorado ou esquecido. Neste caso, qualquer um de nós pode ser um revelador para
o seu próximo; basta transmitir-lhe algo que desconhecia. No sentido
teológico, é o ato pelo qual Deus manifesta aos homens o Seu desígnio de
salvação e Se lhes dá a conhecer.
3) Que tipo de revelação podemos ter?
A revelação pode ser humana e divina. É humana
quando é feita pelo homem. É divina quando é feita por Deus. A revelação divina,
por sua vez, pode ser natural e sobrenatural. É natural
quando o ser humano, pela sua condição de ser pensante, consegue captar os
desígnios de Deus. É sobrenatural quando o teor da mensagem extrapola o
nível de conhecimento do ser humano.
4) Que termos usamos para indicar a revelação encarnada no
Velho e no Novo Testamento?
No Velho Testamento, não há um termo específico para designar
a revelação. Há, sim, intermediários da revelação, que são: Moisés, os profetas,
os salmistas e os sábios.
No Novo Testamento, os termos para indicar a revelação são:
keryssein ("anunciar", "pregar"), evangelizesthai ("evangelizar"),
didaskein ("ensinar"), apokalyptein ("revelar") e matheteúein
("fazer discípulos", "instruir"). No Novo Testamento, Cristo é o único
Mediador propriamente dito da revelação. Os apóstolos são meros
divulgadores, evangelizadores, mas não reveladores.
5) Teologicamente, como são arbitradas as revelações?
As revelações são arbitradas nos concílios. Observe
que no Concílio de Trento, a revelação é o anúncio do Evangelho prometido aos
profetas, pregado pelos apóstolos, e transmitido à Igreja para que ela o
conserve em toda a sua pureza. O Concílio Vaticano II, por sua vez, consagrou à
revelação o cap. I da Constituição dogmática Dei Verbum: a) a revelação é
um diálogo interpessoal entre Deus e os homens; b) a revelação é progressiva; c)
a revelação é constituída por acontecimentos e palavras; d) Cristo é o vértice
da revelação.
6) Em que consiste a revelação espírita?
Allan Kardec, no livro A Gênese, diz: "Por sua
natureza, a revelação espírita tem duplo caráter: participa ao mesmo tempo da
revelação divina e da revelação científica". A revelação espírita é de origem
divina e da iniciativa dos Espíritos, sendo a sua elaboração fruto do trabalho
do homem. Os Espíritos superiores inspiram os homens. Estes, por sua vez, devem
se valer das pesquisas científicas, para alicerçar esses conhecimentos.
7) É possível a revelação direta de Deus?
Sim. Mas não é assim que funciona. Diz-se, por exemplo, que
Deus se manifestou diretamente a Moisés. A manifestação direta é uma força de
expressão. No caso, os Espíritos superiores transmitiram os Dez Mandamentos a
Moisés, em virtude da grande mediunidade que este possuía.
8) Por que a revelação espírita só apareceu no século XIX?
Não poderia ter vindo antes?
A revelação espírita participa ao mesmo tempo da revelação
divina e da revelação científica. Sendo assim, não poderia ter surgido antes que
a ciência tivesse se desenvolvido, principalmente através do método
teórico-experimental. Se viesse antes, teria abortada, como tudo o que é
prematuro.
9) O Espiritismo é a terceira revelação divina? Por quê?
Porque os seus princípios doutrinários se ajustam
perfeitamente aos dizeres de Jesus sobre o Consolador Prometido. Não é uma
revelação pessoal. Veio no tempo certo, ou seja, depois do desenvolvimento das
ciências.
10) Outras questões: Que tipo de revelação nos trouxe Chico
Xavier? E o Espírito Emmanuel? Quais os fundamentos da revelação da Boa Nova?
Qual a importância da mediunidade na revelação? O que os Espíritos revelaram a
Allan Kardec?
Bibliografia Consultada
KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o
Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
Abril/2008
Sérgio Biagi Gregório
1) O que é um Centro Espírita?
Centro Espírita é o local onde os espíritas se reúnem para o
aprendizado e a prática da Doutrina Espírita. Há, assim, o aspecto teórico, que
é o estudo dos princípios fundamentais do Espiritismo e o aspecto prático, que
são os trabalhos de passe e de assistência social.
2) De que necessita para o seu funcionamento?
O Centro Espírita é uma pessoa jurídica. Para o seu
funcionamento, precisa de um estatuto e de eleições da Diretoria, tudo
devidamente registrado nos órgãos competentes. Precisa, também, de um espaço
físico, onde serão realizadas as diversas reuniões, tanto de estudo quanto de
prática mediúnica.
3) Que relação há entre a estrutura física e a estrutura
espiritual?
A estrutura física serve para acomodar os freqüentadores. Não
há necessidade de compartimentos luxuosos, mas de boa ventilação e iluminação. A
estrutura espiritual é a soma do fluxo energético dos Espíritos
protetores, dos diretores, dos colaboradores e dos freqüentadores.
Ventilação e iluminação podem auxiliar no conforto das pessoas, mas o que
realmente importa é o padrão vibratório de todos os freqüentadores, sejam
colaboradores ou não. É esta vibração que é jorrada no espaço e que serve como
um ponto de referência para os Espíritos do além. Esta luz pode ser externada à
rua e às adjacências.
4) Qual a importância do organograma e do fluxograma?
O organograma é a disposição hierárquica, tendo em seu topo a
Diretoria Executiva, responsável pelos destinos do Centro Espírita. O fluxograma
é o movimento das pessoas dentro desta Entidade. Para uma pessoa que vá pela
primeira vez a um Centro Espírita, o fluxo se dá da seguinte forma: Recepção
è Entrevista è
Passes è Entrevista è
Cursos è Colaborador. Explicando: quando a pessoa
chega pela primeira vez, ela é recepcionada e enviada à Entrevista. Feita a
entrevista, é direcionada aos passes para o seu equilíbrio espiritual. É
possível que haja necessidade de fazer várias assistências espirituais; por
isso, a volta à Entrevista. Uma vez equilibrada, é convidada para se matricular
nos cursos. Concluído o Curso de Educação Mediúnica e algum outro de
especialização, é apresentada como um colaborador da Casa Espírita.
5) O Centro Espírita é a universidade da alma?
Sim. Enquanto na escola mundana vamos aprender uma profissão,
que nos dará os rendimentos para a nossa subsistência física, no Centro
Espírita, vamos aprender as coisas da alma, os verdadeiros conhecimentos para
uma vida mais plena de realizações. Nele aprendemos que o Espírito é imortal e
tudo aquilo que aqui fizermos de bom será o nosso advogado em qualquer lugar que
estivermos, inclusive no mundo dos Espíritos.
6) Quais são os dois tipos de sessões que há no Centro
Espírita?
Há as sessões prioritárias e as sessões secundárias
ou conseqüentes. As prioritárias são as sessões de estudo, de
aprendizado da Doutrina Espírita, consubstanciadas nos diversos cursos
desenvolvidos. As secundárias, ou conseqüentes, são os trabalhos
de passe, o desenvolvimento mediúnico, os trabalhos de assistência social etc.
Convém prestarmos atenção nessa diferença, para não confundirmos os meios com os
fins. O fim último do Espiritismo é o aprendizado de seus princípios; a cura, o
passe e a doação de alimentos são conseqüências deste. Não invertamos o
processo.
7) Os Centros Espíritas estão desatualizados? Kardec está
ultrapassado?
O bom senso deve sempre prevalecer. Allan Kardec não está
ultrapassado, desatualizado; ele é mal-compreendido. Há pessoas que freqüentam
um Centro Espírita, mas são ávidas por novidades. Procuram essas novidades nos
livros que tratam das cores, da energização e outros. Daí, olharem com certo
desprezo para as práticas simples da mediunidade. É preciso separar o joio do
trigo.
São Paulo, junho de 2009
Sérgio Biagi Gregório
1) O que significa a palavra céu?
Céu – É o espaço ilimitado e indefinido onde se movem os
astros; espaço acima de nossas cabeças. Vem do latim coelum, formada do
grego coilos, côncavo, porque o céu parece uma imensa concavidade.
2) Como o céu foi introduzido no campo religioso?
Cogita-se que o céu tenha sido o primeiro objeto de culto da
humanidade, geralmente associado às quase ubíquas divindades uranianas.
3) Como as diversas religiões veem o céu? E o Espiritismo?
Para os budistas, é a morada dos deuses, ou Devas,
isto é, dos espíritos que, pelos seus méritos, conquistaram uma situação
privilegiada.
Para os chineses, o céu é um trapézio regular
invertido, dividido em compartimentos paralelos, os quais constituem cada um dos
andares. Este trapézio assenta sobre o monte Meru, que emerge do oceano.
Para as religiões pagãs clássicas, o céu foi a
personificação da abóbada celeste.
Na Bíblia, serve para designar o lugar donde veio Cristo e
para onde voltou, que é o lugar dos bem-aventurados. A teologia católica
reconhece três céus: o primeiro é o da região do ar e das nuvens; o segundo, o
espaço em que giram os astros; e o terceiro, para além deste, é a morada do
Altíssimo, a habitação dos que o contemplam face a face.
Para o Espiritismo, a palavra céu indica o espaço
universal; são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores em que os
Espíritos gozam de todas as suas faculdades, sem as tribulações da vida material
nem as angústias inerentes à inferioridade.
4) O que significa a palavra inferno?
Inferno – É um termo usado por diferentes religiões,
mitologias e filosofias, representando a morada dos mortos, ou lugar de grande
sofrimento e de condenação. A origem do termo é latina: infernum, que
significa "as profundezas" ou o "mundo inferior".
Observação: enquanto a palavra céu designa ao mesmo tempo
o mundo dos astrônomos e astronautas e a morada em que Deus reúne os seus
eleitos, a palavra inferno tem conotação estritamente mitológica, religiosa e
filosófica.
5) Como o termo inferno passou da mitologia para a religião?
Na mitologia grega, Hades é um lugar invisível, eternamente
sem saída, e designa as riquezas subterrâneas da terra, entre as quais se
encontra o império dos mortos. Na simbologia, entretanto, o subterrâneo é o
local das ricas jazidas, o lugar das metamorfoses, das passagens da morte à
vida, da germinação. As religiões, de um modo geral, têm íntima relação com o
mito, a mitologia. Com o passar do tempo, porém, foram modificando as suas
interpretações do mito. Em se tratando do inferno, modificaram-no, entendendo-o
como o destino de apenas alguns; pessoas que não assumiram uma conduta louvável
no ponto de vista religioso, e que por isso, foram condenadas ao sofrimento
jamais visto pelo mundo material.
6) Como o inferno é visto pela tradição cristã?
Na tradição cristã, a conjunção luz-trevas simboliza os dois
opostos: céu e o inferno. Nesse sentido, o céu é o lugar para onde vão as almas
dos justos gozar as bem-aventuranças no paraíso; o inferno é o lugar para onde
vão as almas dos que morreram em pecado mortal. Lá os esperam as mais trágicas
dores: tonéis ferventes, tridentes, em fim, um sofrimento eterno.
7) Como o céu e o inferno são vistos pela Doutrina Espírita?
De acordo com a teologia católica, céu e inferno são lugares
circunscritos. Para o Espiritismo, são estados de consciência da pessoa. Os
Espíritos que praticaram o mal vão sofrer as conseqüências de seus atos. Pode-se
dizer que estão no inferno, porque haverá muito sofrimento, em decorrência da
desobediência às leis naturais, inscritas por Deus na consciência de cada
vivente. Os Espíritos que praticaram o bem vão se beneficiar das
bem-aventuranças.
8) Por que temos facilidade em retratar o inferno e
dificuldade para com o céu?
Isso se deve porque o planeta Terra ainda é um mundo de
provas e expiações, em que o mal predomina sobre o bem. Quando ele for elevado a
mundos mais evoluídos, com certeza pintaremos o céu com tintas mais brilhantes.
Nota: Os antigos acreditavam na materialidade da abóbada
celeste, supondo os astros nela fixos. Tinham a Terra como o centro do universo.
Assim, a ideia que fazemos do Céu é fruto da concepção grega e babilônica
(imutável, calmo, vida eterna). Copérnico, no Século XVI, quebra a tradição
milenar e coloca o Sol no centro do Universo. Com isso a Terra entrou no Céu.
Mais tarde, Galileu, com a descoberta do telescópio, corrobora tal afirmação. A
Ciência parecia ir contra a Bíblia; mas a Bíblia ensina como ir ao Céu, não como
ele foi feito.
São Paulo, março de 2009.
1) O que se entende por Ciência?
Ciência é o conjunto de conhecimentos organizados relativos a
uma determinada matéria, comprovados empiricamente. Formulam-se hipóteses e
tenta-se prová-las através de coleta de dados e testes estatísticos.
2) Quais são as características da Ciência?
1) Conhecimento pelas causas; 2) profundidade e generalidade
de suas condições; 3) objeto formal; 4) controle dos fatos. A Ciência,
principalmente depois que começou a utilizar o método teórico-experimental,
precisou comprovar os fatos. O homem vulgar, ao olhar para o céu escuro, poderá
dizer que irá chover. O cientista tem que apresentar provas, ou seja, fornecer
as informações baseadas nos estudos de causa e efeito.
3) Há relação entre Ciência e Religião? Entre Ciência e
Espiritismo?
A Religião, principalmente na Idade Média, era detentora do
poder e, como tal, exercia influência sobre a Ciência. Lembremo-nos de Galileu,
obrigado a negar as suas descobertas espaciais. Para Allan Kardec, a Ciência e a
Religião não puderam se entender até hoje, porque, cada uma examinando as coisas
sob seu ponto de vista exclusivo, se repeliam mutuamente. Em A Gênese,
diz que o Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente: "A Ciência, sem o
Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas
leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, faltariam apoio e comprovação".
(1)
4) Há diferença entre o procedimento da Ciência natural e o
da Ciência espírita?
O procedimento é idêntico, ou seja, formulam-se HIPÓTESES.
Sobre as hipóteses estabelecem-se, dedutivamente CONSEQUÊNCIAS. As consequências
serão aceitas como verdadeiras, se confirmadas pela observação e experiência. A
diferença consiste na natureza das percepções consideradas. A Ciência natural
usa a percepção sensorial; a Ciência espírita, a percepção mediúnica. (2)
5) Cite o nome de algum experimentador espírita.
W. Crookes realizou diversas experiências entre 1870 e 1874,
com os médiuns Dunglas Home, Kate Fox e Florence Cook, tendo obtido a
materialização completa de katie King. Empregou método rigorosamente científico,
inventando e adaptando variados aparelhos registradores. (3)
Gabriel Dellane, em O Fenômeno Espírita, relata a
criação de vários aparelhos medidores da força psíquica.
Não são poucos os nomes ligados à experimentação espírita.
Cabe destacar que a maioria deles foram ao fenômeno para desmascarar os médiuns,
chamados de embusteiros. Como eram cientistas e valiam-se dos fatos, acabaram
sendo convencidos pela verdade mediúnica.
6) Como cultivar a Ciência espírita?
Não se aprende a Ciência espírita sem tempo para reflexão.
Por isso, nada de precipitação. O correto é aplicar-se de maneira exaustiva,
excluir toda a influência material, e observar criteriosamente os fenômenos,
tanto os bons quanto os maus. Lembremo-nos de que o maior inimigo do pesquisador
espírita é, sem dúvida, o seu emocional, carregado muitas vezes do pensamento
mágico. Toda experiência carece ser cuidadosamente planejada e seus resultados
submetidos a rigorosa análise. Ao legítimo pesquisador não interessa seja
confirmada este ou aquele ponto vista, e sim revelado qual o que está certo.
Para ele só há um objetivo: a verdade.
7) Pode-se provar a existência de Espíritos?
Sim. Desde que utilizemos a Ciência espírita e não a ciência
natural. Se quisermos pegar o Espírito para provar a sua existência nunca vamos
conseguir. Mas se fizermos uso da mediunidade, com certeza poderemos fazê-lo.
(1) KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições
Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975, cap.I, item 16.
(2) CURTI, R. Espiritismo e Reforma Íntima. 3. ed., São Paulo, FEESP,
1981, p. 17.
(3) FREIRE, J. Ciência e Espiritismo (Da Sabedoria Antiga à Época
Contemporânea). 2 ed., Rio de Janeiro, FEB, 1955, p. 95.
6/1/2010
Sérgio Biagi Gregório
Na antiguidade, Sócrates elegeu o mercado
como sua ágora, ou seja, o lugar para os seus exercícios filosóficos.
Platão fundou a Academia. Aristóteles, o Liceu. Os estóicos se reuniam num
Pórtico. Epicuro, nos Jardins. Disto resulta que precisamos de um tópos
(lugar) para o exercício do lógos (razão). Uma sala do Centro Espírita
Ismael é o nosso tópos para o exercício dos lógoi do “Curso de
Aprofundamento Doutrinário”.
O Curso de Aprofundamento Doutrinário não é
um curso de filosofia, mas do exercício da filosofia, tal qual nos ensinava
Kant em sua Crítica da Razão Pura, quando dizia: “Até agora não se chegou a aprender filosofia alguma; pois
onde está ela, quem a possui e através de quê é dado a conhecê-la? Só é possível
aprender a filosofar, ou seja, exercitar o talento da razão na aplicação de seus
princípios gerais em certas tentativas que se apresentam..." Daí a frase que se
perpetua no tempo: “não se ensina filosofia, quando muito deveríamos aprender a
filosofar”.
Em 2009, os temas serão escolhidos pelos próprios
participantes. Os cinco primeiros são: “Perispírito”, “Mediunidade”, “Maneira de
Orar”, “Lei Humana e Lei Divina” e “Ação e Reação”.
Procedimento: não há um professor; todos são mestres
e alunos ao mesmo tempo. Cada participante faz a sua pesquisa, elabora a sua
questão, e procura contribuir da melhor maneira possível para o engrandecimento
do grupo e da Doutrina Espírita.
CURSO DE APROFUNDAMENTO DOUTRINÁRIO NO CENTRO ESPÍRITA
Em religião, costumamos dar mais crédito à emoção do que à
razão. No Espiritismo, deveríamos agir mais pela razão do que pela emoção. Para
que o nosso pensamento seja robusto, convém pautá-lo segundo o raciocínio
lógico. As técnicas de oratória também devem ser lembradas: introdução,
desenvolvimento e conclusão. Na introdução, coloquemos o tema em questão; no
desenvolvimento, discutamos os prós e os contras; na conclusão, façamos um
resumo do que foi dito.
Um Curso de Aprofundamento Doutrinário é sumamente
importante, pois não temos o hábito de analisar os temas com o devido cuidado.
Podemos questionar, inicialmente, o termo aprofundar. Aprofundar
significa tornar fundo ou mais fundo. Examinar ou investigar a fundo, ou com
minúcia; indagar, pesquisar, inquirir. Entrar, penetrar em um assunto, tema,
idéia etc., investigando-a a fundo e com minúcia. Aprofundar é, em síntese,
ampliar conceitos para uma melhor compreensão do assunto a ser discutido.
O termo doutrinário, por seu turno, vem de doutrina.
Doutrina é o indicador de um conjunto de teorias, noções e princípios
coordenados entre eles organicamente que constituem o fundamento de uma ciência,
de uma filosofia e de uma religião. O termo doutrinário indica, em geral, quem
obedece rigidamente aos princípios da própria doutrina, prestando atenção à
teoria no seu sentido abstrato, mais do que no prático. O adepto que se diz
seguidor de uma doutrina deve atentar para a sua perfeita compreensão. Para
tanto, deve se debruçar sobre as obras básicas do Espiritismo.
Em se tratando de doutrina, a teoria é mais valorizada do que
a prática. Em realidade, quando estamos criando uma doutrina, estamos criando
uma teoria. O que se entende por teoria? A teoria originou-se da raiz grega
Theos (Deus), aquele que tudo vê. Significa visão. Na antiga Grécia, teoria
era o nome que se dava às longas filas que se faziam para se dirigir à Igreja.
As filas podiam ser vistas de longe, e, ao mesmo tempo, tinham um nexo, todas
tendiam para a Igreja. Assim, a teoria é um conjunto de conhecimentos que tem
nexo entre si.
Para aprofundar, façamos perguntas relevantes, pois há
perguntas e perguntas. A pergunta relevante tende para a compreensão do tema
proposto. As perguntas levam-nos aos conceitos. O conceito é uma imagem da coisa
e não a coisa em si. Exemplificando, o conceito árvore diz respeito a todas as
árvores e não a uma pretensa árvore que estamos olhando. Ao lado do conceito, a
definição. A definição consiste em determinar a compreensão que caracteriza um
conceito. Segundo Aristóteles, a essência de uma coisa compõe-se do gênero e das
diferenças. De onde a regra escolástica segundo a qual a definição se faz "per
genus proximum et differentiam specificam" (pelo gênero próximo e diferença
específica). Assim, Definir, segundo a lógica formal, é dizer o que a coisa é,
com base no gênero próximo e na diferença específica.
Elaboremos uma definição de espírita. Qual é o gênero
próximo? Espiritualista. Espiritualista, aquele que crê que há algo além da
matéria. Qual a diferença especifica? É o espiritualista que age em função dos
princípios codificados por Allan Kardec. Vejamos a frase: "Todo espírita é
espiritualista, mas nem todo espiritualista é espírita". Todo espírita é
espiritualista. Explicação: espiritualista é o contrário de
materialista; ele crê que existe algo além da matéria. Mas nem todo
espiritualista é espírita. Explicação: nem todo aquele que crê que
existe algo além da matéria pode se dizer espírita. É preciso que ele, além de
crer que haja algo além da matéria, certifique-se dos seus princípios
fundamentais. Sem isso, será apenas um espiritualista tal qual o budista, o
católico, o protestante etc.
Estudemos os temas espíritas com a devida profundidade.
Somente assim formaremos uma ideia mais clara dos seus princípios fundamentais.
Fevereiro/2009
Sérgio Biagi Gregório
1) O que se nos espera além-túmulo?
O além-túmulo não nos salva e nem nos condena. A única
diferença: aqui temos uma matéria densa; lá, somos dela despojados. Há que se
ter cuidado com o que pregam muitas religiões. As religiões têm grande
influência na percepção do crente para o que há de vir. A maior parte delas
recomenda-nos fazer o bem em vista de uma recompensa de além-túmulo. Está aí o
móvel egoísta e mercenário que deve ser evitado.
2) Há um céu e um inferno?
O "Céu e o Inferno" fazem parte da ortodoxia católica, em que
pressupõe lugares circunscritos no plano espiritual. O Espiritismo esclarece-nos
que tanto um quanto o outro deve ser entendido como estado mental. Se, ao
desencarnarmos, formos bafejados pelos eflúvios balsâmicos, poderemos nos
considerar no céu; se, ao contrário, formos influenciados por vibrações pesadas,
convém nos considerarmos no inferno. Dolorosa, cheia de angústias para uns, a
morte não é, para outros, senão um sono agradável seguido de um despertar
silencioso.
3) O que os Espíritos fazem no mundo dos mortos?
O que os Espíritos fazem ou deixam de fazer depende do grau
de evolução de cada um. Os Espíritos que desencarnaram em estado de "pecado"
deverão sofrer as conseqüências de seu "carma"; somente depois de se
equilibrarem poderão assumir uma tarefa no Mundo Espiritual. Já, aqueles que
desencarnam em estado de equilíbrio espiritual podem assumir tarefas
específicas. Lembremo-nos dos seis ministérios, relatados pelo Espírito André
Luiz, no livro Nosso Lar. A maioria dos Espíritos que ali habita estuda e
se prepara para uma nova encarnação.
4) Os Espíritos se alimentam como nós?
Também aí depende da evolução de cada um. Os alimentos não
são sólidos, mas fluídicos. Na Colônia Nosso Lar, houve um problema com a
alimentação: todas as refeições pesadas foram suspensas. Tiveram que tomar caldo
fluídico.
5) Como você explica o passamento?
Dizem-nos os Espíritos que o instante da morte não é
doloroso. Há um desligamento dos laços fluídicos que prendem o Espírito ao
corpo, começando pelos pés e terminando na cabeça, onde se encontra o Centro de
Força Coronário.
6) Por que a maioria das pessoas teme a morte? Quais são as
causas?
As causas são muitas, inclusive o instinto de conservação. Há
o medo ao desconhecido, os temores da consciência pesada e as influências das
religiões, que nos criam uma imagem funesta do que há de vir.
7) Devemos nos preocupar com o que há de vir? Não seria
melhor ficar preso à vida presente?
A preocupação com o que há de vir é sumamente importante no
sentido de nos modificar nesta vida. Observe que a vida de Sócrates nada mais
foi do que uma preparação para a morte. Essa preparação não nos deve tirar o
ensejo de viver plenamente o momento que passa. A felicidade, no futuro, vai
depender de quão bem tivermos vivido o instante presente, porque o que vai
acontecer lá é um reflexo do nosso dia-a-dia.
8) Que tipo de sensação os Espíritos descrevem quando
adentram o mundo dos mortos?
As sensações descritas pelos Espíritos desencarnados
assemelham-se e podem ser resumidas da seguinte forma: todos afirmam terem se
encontrado novamente com a forma humana, nessa existência; terem ignorado,
durante algum tempo, que estavam mortos; haverem passado, no curso da crise
pré-agônica, ou pouco depois, pela prova da reminiscência sintética de todos os
acontecimentos da existência que se lhes acabava; acolhidos pelos familiares e
amigos; haverem passado "sono reparador"; terem passado por um túnel. O Espírito
André Luiz descreve, no livro Nosso Lar, que sentia "Uma sensação de
perda da noção de tempo e espaço. Sentia-se amargurado, coração aos saltos e um
medo terrível do desconhecido".
9) Quais são as conseqüências do suicídio?
No suicídio, o Espírito perde o seu livre-arbítrio. Ele vai
ao mundo espiritual como uma espécie de criminoso, porque infringiu a Lei
Natural. O "vale dos suicidas", usado freqüentemente pelos espíritas, é uma
figura metafórica: assemelha-se ao vale dos leprosos, na época de Jesus.
Importaria mais salientar os atenuantes e os agravantes, envoltos com o ato do
suicídio. Observe que, nesse caso, entra em cena até as influências de
terceiros, ou seja, da sociedade que não lhe deu motivos para continuar a sua
vida neste planeta. De qualquer forma, os suicidas são vítimas de sensações
terríveis.
10) Que relação há entre perispírito e desencarnação?
Quanto mais sutis e rarefeitas são as moléculas constitutivas
do perispírito tanto mias rápida é a desencarnação, tanto mais vastos são os
horizontes que se rasgam ao Espírito. Devido ao seu peso fluídico e às suas
afinidades, ele se eleva para os gozos espirituais que lhe são similares. Cada
perispírito pode ser comparado com balões cheios de gases de densidades
diferentes que, em virtude de seus pesos específicos se elevam a alturas
diversas. Porém, como o Espírito tem livre-arbítrio e vontade, ele pode
modificar as tendências e o curso do mesmo.
11) Se o Espírito, ao adentrar no mundo dos Espíritos,
continua o mesmo, como é possível descobrir a verdade sobre si mesmo?
Desprovido da matéria densa, o Espírito tem mais condições de
perscrutar a sua consciência, banhada pelas luzes da lei natural gravada na
mesma.
Novembro/2006
Sérgio Biagi Gregório
1) O que se entende por desenvolvimento mediúnico?
Costuma-se designar o termo DESENVOLVIMENTO MEDIÚNICO para referir-se aos
exercícios práticos de mediunidade. No entanto, o desenvolvimento mediúnico
propriamente dito é muito mais, pois desenvolver a mediunidade é aprimorar-se,
evangelizar-se, progredir moral e intelectualmente para aumentar as condições
psíquicas e espirituais, no sentido de entrar em contato com Espíritos mais
evoluídos. Pietro Ubaldi, por exemplo, costumava definir o processo mediúnico
como um esforço para ir ao encontro desses Espíritos mais evoluídos.
Desaconselhava, assim, a simples apassivação.
2) Qual a função dos exercícios práticos mediúnicos?
Os exercícios práticos mediúnicos servem para que o médium tarefeiro tome
consciência da sua capacidade mediúnica. Os instrutores podem, através desses
exercícios, melhor encaminhá-lo para os trabalhos práticos do Centro Espírita.
3) Esses exercícios são reservados somente aos médiuns tarefeiros?
Não. As instruções de Allan Kardec, principalmente em O Livro dos Médiuns,
mostram-nos que há dois tipos de mediunidade, a natural e a de tarefa. Todos os
médiuns prestam-se a esses exercícios, porém o correto é dar oportunidade
àqueles que vieram com a mediunidade tarefa.
4) Para a prática mediúnica, há necessidade da concentração?
Sim. Concentração é a capacidade de dirigir a atenção para um único objeto. A
atenção pode ser solicitada passivamente por um estímulo externo, mas a
concentração é sempre ativa. Emana do sujeito, que escolhe voluntariamente o
objeto da sua atenção para nele concentrar-se. Somente quando o médium se
concentrar no próprio exercício, isolando os barulhos externos, terá mais
condições de se comunicar com os Espíritos.
5) Qual a contribuição de Edgar Armond para o exercício prático?
A sua contribuição está na PACEM, ou seja:
1) Percepção dos Fluidos
Identificação da natureza da entidade
espiritual.
2) Aproximação
Percepção da presença da entidade
espiritual.
3) Contato
Identificação dos centros de força e
das partes do organismo que estão sendo atuadas pela entidade comunicante.
4) Envolvimento
Recepção da mensagem espiritual que
está sendo transmitida ao médium.
5) Manifestação
A comunicação propriamente dita do
Espírito, através do médium.
6) Como o médium deve se apassivar?
Na apassivação, o médium se coloca em condições mais tranqüilas para uma
comunicação com os mentores ou Espíritos desencarnados. Relaxamento, respiração
profunda e outras técnicas de concentração são de grande utilidade.
7) Os exercícios mediúnicos podem ser feitos em casa?
É recomendável que a prática mediúnica seja feita no Centro Espírita, lugar
mais bem preparado para a comunicação com os desencarnados. Nada impede, porém,
de realizá-la na própria casa. Costuma-se condenar o exercício da mediunidade no
próprio lar. Esquecem-se de que a maioria dos Centros Espíritas começou com as
reuniões familiares.
8) Que recomendações devem ser dadas aos médiuns?
O médium deve aguçar o interesse e o entusiasmo, fortalecendo a vontade. O
estudo da Doutrina Espírita, a utilização da prece e a disposição de nunca estar
ocioso aumentam sobremaneira esse poder de concentração, possibilitando o
direcionamento dos pensamentos às esferas superiores do mundo espiritual.
São Paulo, maio de 2009
Sérgio Biagi Gregório
1) O que é um desertor?
Desertor é aquele que abandona um partido, uma causa. Todas
as grandes ideias têm apóstolos fervorosos; têm, também, os seus desertores.
Allan Kardec diz que o Espiritismo não fugiu à regra.
2) Como podemos interpretar as deserções no início do
Espiritismo?
No início, houve equívoco quanto à natureza e aos fins do
Espiritismo. As brincadeiras de salão, a curiosidade e o querer entrar em
comunicação com os Espíritos foram as primeiras formas que os Espíritos
superiores acharam para poder chamar a atenção sobre o fenômeno mediúnico.
Quando os Espíritos sérios e moralizadores tomaram o lugar dos Espíritos
brincalhões, os adeptos das brincadeiras desertaram.
3) Como explicar a deserção na fase da adivinhação?
Muitas pessoas, movidas pelo espírito comercial de ganhar
dinheiro na especulação do maravilhoso, acabaram desertando porque os Espíritos
não vinham ajudá-las a enriquecer, nem lhes revelar o número sorteado nas
loterias. Não dando certo o que vaticinavam, acabavam denegriam o Espiritismo.
Esta fase também foi útil, porque separou os Espíritas sérios dos
aproveitadores.
4) Por que desconfiar dos entusiasmados febris?
Por princípio, devemos desconfiar dos entusiasmados febris,
porque, na grande maioria, são fogos de palha que ditam louvores sobre alguma
coisa que ainda não conhecem. Passada a fase de deslumbramento, caem na real e
verificam que estão longe da circunspeção, da seriedade e da abnegação que se
exige de todo o praticante sincero.
5) Há deserção entre os Espíritas convictos?
Não. Allan Kardec fala de fraquezas humanas, como o orgulho e
o egoísmo. Acha que há desfalecimentos, em que a coragem e a perseverança
fraquejaram diante de uma decepção. Ele diz: "Entre os adeptos convictos, não há
deserções, na lídima acepção do termo, visto como aquele que desertasse, por
motivo de interesse ou qualquer outro, nunca teria sido sinceramente espírita".
6) Quais são as conseqüências para aqueles que desertam de
sua tarefa mediúnica?
O Espírito Emmanuel, no capítulo 9, "Mensagem aos Médiuns",
do livro Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, diz que os
médiuns não são os missionários na acepção comum do termo; "são almas que
fracassaram desastradamente, que contrariaram sobremaneira, o curso das leis
divinas, e que resgatam, sob peso de severos compromissos e ilimitadas
responsabilidades, o passado obscuro e delituoso". Pela misericórdia divina,
receberam a bênção da mediunidade para poderem redimir os seus erros do passado.
Aceitando as incumbências da tarefa mediúnica, estarão sob a proteção dos
benfeitores espirituais; desertando de suas responsabilidades mediúnicas,
poderão perder o amparo desses Espíritos benfeitores, adiando para encarnações
futuras o encaminhamento das almas que desviaram das sendas luminosas da fé.
7) Dê-nos um exemplo de deserção
O Espírito Irmão X, no capítulo 15, "O Compromisso", do livro
Estante da Vida, psicografado por Francisco Cândido Xavier, conta-nos o
seguinte: no mundo espiritual, havia uma pessoa, que se sentia muito endividada
perante as leis divinas e pede aos benfeitores do espaço toda a sorte de
provação, ou seja, lepra, abandono dos entes queridos, extrema penúria e
cegueira. Diante deste pedido, os benfeitores falaram: "Você encarnará são, mas
com uma condição, será médium". Vem ao mundo como Alberto Nogueira.
Passados 36 anos, os benfeitores esperavam que ele estivesse
colaborando num determinado Centro Espírita. Precisando dos seus préstimos,
envia a mãe e a filha, esta obsedada, para que ele pudesse ajudá-la. Não o
encontraram no Centro. Sob a influência desses mesmos benfeitores, conseguem o
endereço do médium. Mãe e filha vão à sua casa e o encontram lendo um jornal do
dia, em larga espreguiçadeira. Apesar dos rogos insistentes da mãe, não quis
ajudar a pobre menina.
Conclusão: "Aquele espírito valoroso que pedira lepra,
cegueira, loucura, idiotia, fogo, lagrimas, penúria e abandono, a fim de
desagravar a própria consciência, no plano físico, depois de acomodar-se nas
concessões do Senhor, esquecera todas as necessidades que lhe caracterizavam a
obra de reajuste e preferia a ociosidade, enquadrado em pijama, com medo de
trabalhar".
Bibliografia Consultada
KARDEC, A. Obras
Póstumas. 15. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
XAVIER, F. C.
Emmanuel (Dissertações Mediúnicas), pelo Espírito Emmanuel. 9. ed. Rio de
Janeiro: FEB, 1981.
XAVIER, F. C.
Estante da Vida, pelo Espírito Irmão X. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974.
Recomendação de Leitura:
Os Mensageiros, pelo Espírito André Luiz, psicografado
por Francisco Cândido Xavier.
Neste livro, há os testemunhos de médiuns (desencarnados)
que, tendo partido do "Nosso Lar", com tarefas específicas, não conseguiram
cumpri-las. No retorno, seus relatos são pungentes e esclarecedores.
Capítulo 34 (Desertores), do livro Seara dos
Médiuns, psicografado por Francisco Cândido Xavier.
Desertores não são apenas aqueles que deixam de transmitir
com fidelidade a mensagem dos Espíritos. Os que armazenam pão, sem proveito
justo, os que afogam no álcool, os que... Também o são.
Capítulo Os Desertores, do livro Obras Póstumas,
de Allan Kardec.
Mensagem de Allan Kardec, sobre este tema, tão logo voltou ao
mundo dos Espíritos, enaltecendo o esforço de continuar na divulgação e prática
do Espiritismo. Caso se esquivem da tarefa, "perdem a proteção dos bons
Espíritos e, conforme a triste experiência que temos feito, bem depressa chegam,
de queda em queda, às mais críticas situações!"
São Paulo, junho de 2009
Sérgio Biagi Gregório
1) Qual a etimologia da palavra Deus?
Deus é um dos conceitos mais antigos e fecundos do
patrimônio cultural da humanidade. Deriva do indo-europeu deiwos
(resplandecente, luminoso), que designava originariamente os celestes
(Sol, Lua, estrelas etc.) por oposição aos humanos, terrestre por
natureza. Psicologicamente corresponde ao objeto supremo da experiência
religiosa, no qual se concentram todos os caracteres do numinoso ou sagrado.
(Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado).
2) Que significa a palavra Deus?
Tomou esta palavra a significação de princípio de explicação
de todas as coisas, da entidade superior, imanente ou transcendente ao mundo
(cosmos). Em qualquer lugar em que o homem se encontre, a idéia de Deus aflora e
exige explicações. Pode ser objeto de fé ou de razão, de temor ou de amor, tanto
para aceitá-lo como para renegá-lo.
Para o Espiritismo, Deus é a inteligência suprema,
causa primária de todas as coisas.
3) Como explicar as características monoteístas e politeístas
das religiões?
Monoteísmo é a crença num único Deus; politeísmo,
na hierarquia dos deuses. Para caracterizá-los, necessitamos de estabelecer a
identificação ou a distinção entre Deus e divindade. Convém, aqui, não confundir
unidade de Deus e unicidade de Deus. A unidade pressupõe a
multiplicidade. Quer dizer, Deus sendo uno, ele pode multiplicar-se em vários
deuses, formando uma hierarquia. Mas justamente por isso não é único: a unidade
não elimina a multiplicidade, mas a recolhe em si mesma.
4) Pode o homem conhecer a natureza íntima de Deus?
Não; falta-lhe para tanto um sentido. Que sentido será este?
Não pode ser físico, mas espiritual. Poder-se-ia dizer que é uma percepção
extra-sensorial mais acurada. Isso só seria possível quando o Espírito, pela
perfeição adquirida, tiver se aproximado de Deus. Nesse caso, já não estaria
mais sendo obscurecido pela matéria, podendo assim, penetrar nos mistérios da
divindade. (Kardec, 1995, perg. 10)
5) Quais são os atributos de Deus? Explicite-os.
DEUS É ETERNO. Se Ele tivesse tido um começo, teria saído
do nada, ou, então, teria sido criado por um ser anterior. É assim que, pouco a
pouco, remontamos ao infinito e à eternidade.
É IMUTÁVEL. Se Ele estivesse sujeito a mudanças as leis
que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade.
É IMATERIAL. Quer dizer, sua natureza difere de tudo o
que chamamos matéria, pois de outra forma Ele não seria imutável, estando
sujeito às transformações da matéria.
É ÚNICO. Se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade
de vistas nem de poder na organização da matéria.
É TODO-PODEROSO. Porque é único. Se não tivesse o
poder-soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto Ele,
que assim não teria feito todas as coisas. E aquelas que ele não tivesse feito
seriam obra de um outro Deus.
É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM. A sabedoria providencial das
leis divinas se revela nos menores como nas maiores coisas, e esta sabedoria não
nos permite duvidar da sua justiça nem da sua bondade. (Kardec, 1995, perg. 12)
6) O Deus da Doutrina Espírita é panteísta?
Não. O panteísmo – do grego pan "tudo", "todo"
e theos Deus é uma doutrina filosófica que identifica Deus e o mundo, o
criador e a criação, ou seja, considera Deus como a universidade dos seres ou
conjunto de tudo quanto existe. Para o panteísmo, somos uma porção do todo que,
eventualmente toma um corpo para, depois, voltar ao todo universal. Para o
Espiritismo, o raciocínio é diferente: temos uma individualidade que não se
desfaz, nem com o nascimento, nem com a morte.
7) Deus pensa? Fala? Ouve? É justo? Perdoa? Premia?
Quando nos dirigimos a Deus nesses termos, estamos usando a
metáfora, figura de linguagem em que o significado de uma palavra pode ser
transferido para outra por meio da comparação. Metaforicamente, Deus pensa,
fala, faz justiça, perdoa e premia. O Espiritismo, porém, nos alerta que Deus
apenas instituiu as suas leis, chamadas também de Leis Naturais. Nesse sentido,
as ações humanas são avaliadas de acordo com essas leis. Caso tenhamos agido de
acordo com elas, teremos mais prêmios; contrariando-as, mais punição. A tarefa
precípua do ser humano é conhecê-las; com isso, diminuirá drasticamente o número
de reencarnações necessárias para entrar definitivamente no reino de Deus.
Bibliografia Consultada
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São
Paulo: Verbo, 1986.
Set/2007
Sérgio Biagi Gregório
1) Qual o conceito de Espírito?
Espírito – do lat. spiritus – significa
"sopro", "respiro". Há muitos sentidos relacionados a esse termo: figurado, em
que o espírito opõe-se à letra; impessoal, em que o espírito é a realidade
pensante; particular, em que o espírito torna-se sinônimo de inteligência. No
sentido especial da Doutrina Espírita, o Espírito é o princípio (o que é?)
inteligente do Universo.
2) Há diferença entre Espírito e Espíritos?
Sim. O Espírito é o princípio inteligente do Universo. Os
Espíritos são os seres inteligentes da criação, que povoam o Universo, fora do
mundo material, e constituem o mundo invisível. Allan Kardec deixa claro que
está usando a palavra Espíritos para designar os seres extracorpóreos e não mais
o elemento inteligente universal.
3) Qual a origem e natureza dos Espíritos?
Não o sabemos. A informação que nos é dada pelos Espíritos
superiores é que os Espíritos foram criados simples e ignorantes, com a
incumbência de se tornarem perfeitos.
4) Espírito é sinônimo de alma?
De acordo com a Doutrina dos Espíritos, a alma significa o
Espírito encarnado.
5) É certo dizer que os Espíritos são imateriais?
A sua essência difere de tudo o que conhecemos por matéria.
Nesse sentido dizemos que são imateriais. Mas o termo ainda é incompleto. Allan
Kardec na pergunta 82 de O Livro dos Espíritos explica o fato da seguinte
maneira: "Imaterial não é o termo apropriado; incorpóreo, seria mais exato; pois
deve ser alguma coisa. É uma matéria quintenssenciada, para a qual não dispondes
de analogia, e tão eterizada, que não pode ser percebida pelos vossos
sentidos... Um povo de cegos não teria palavras para exprimir a luz e os seus
efeitos. O cego de nascença julga ter todas as percepções pelo ouvido, o olfato,
o paladar e o tato; não compreende as idéias que lhe seriam dadas pelo sentido
que lhe falta. Da mesma maneira, no tocante à essência dos seres super-humanos,
somos como verdadeiros cegos. Não podemos defini-los, a não ser por meio de
comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço de imaginação". (1995, p. 80)
6) Os Espíritos têm forma?
Para Espíritos encarnados, não; para os Espíritos
desencarnados, sim. Pode-se imaginá-lo como um clarão, uma flama. Isso, quando
se trata de falar do Espírito sem o perispírito. Quando falamos do Espírito com
o perispírito, ele será visto com a sua forma perispiritual.
7) Os Espíritos são eternos?
Não. Eterno significa que não tem começo nem fim. De acordo
com as instruções dos Espíritos, deve-se preferir o termo imortal. O
Espírito é imortal porque ele teve um começo, foi criado por Deus, mas não terá
fim, não se desintegrará e manterá a sua individualidade.
8) Como os Espíritos atuam sobre a matéria?
Os Espíritos agem sobre a matéria através do perispírito. O
Espírito propriamente dito é uma abstração. Para se manifestar na matéria, ele
precisa de um elemento semimaterial, denominado perispírito. O perispírito é o
veiculo de ligação entre o Espírito e a matéria. Em O Livro dos Médiuns,
Allan Kardec diz que "o conhecimento do perispírito é a chave de uma porção de
problemas até agora inexplicáveis".
9) Como os Espíritos se manifestam?
1) por Efeitos Físicos (movimentos, ruídos, sons,
transportes de objetos etc.);
2) por Efeitos Inteligentes (permuta de pensamentos,
sinais ou palavras).
10) Exercício: há limite para o progresso dos Espíritos?
Bibliografia Consultada
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
Março/2008
Sérgio Biagi Gregório
1) O que significa a palavra fluidos?
Diz-se das substâncias líquidas ou gasosas. São os estados da
matéria em que ela é mais rarefeita do que no estado conhecido sob o nome de
gás.
2) O que se entende por fluido cósmico universal?
O fluido cósmico universal é a matéria elementar primitiva,
cujas modificações constituem a inumerável variedade dos corpos da Natureza.
Como princípio elementar do Universo, ele assume dois estados distintos: o de
eterização ou imponderabilidade, que se pode considerar o primitivo estado
normal, e o de materialização ou de ponderabilidade, que é, de certa maneira,
consecutivo àquele.
3) O que se entende por fluido espiritual?
A qualificação de fluidos espirituais não é exata.
Quando nos referimos aos fluidos, referimo-nos à matéria. Nesse caso, eles são
matéria mais ou menos quintessenciada. Dizemos fluidos espirituais mais
pela afinidade que eles guardam com os Espíritos. Poder-se-ia também dizer que
eles são matéria do mundo espiritual.
4) O que se entende por fluido magnético?
O fluido magnético é uma transformação ou modificação do
fluido universal.
5) Quais são as outras denominações de fluidos?
Fluido imponderável, fluido mentomagnético, fluido nervoso,
fluido perispiritual, fluido vital, fluido vivo, fluidoterapia.
6) Qual a importância do estudo dos fluidos?
De acordo com o Espiritismo, os fluidos se prestam a muitos
fenômenos, que a ciência terrestre ainda não consegue explicar, ou seja, a
materialização, as aparições, os milagres, as curas, as assombrações etc.
7) Relacione fluidos e passe espírita.
O passe é a transfusão de fluidos físicos e espirituais em
que estão entrelaçados os fluidos materiais (magnetismo do médium) e os fluidos
espirituais (magnetismo dos Espíritos). O passe é uma irradiação amorosa tanto
do médium quanto dos Espíritos de luzes, que estão interessados no equilíbrio
psíquico, físico e espiritual dos encarnados.
8) Qual a diferença entre a condensação do fluido universal
no corpo físico e no perispírito?
Tanto o corpo carnal quanto o corpo perispirítico são
provenientes do fluido universal. No perispírito, a transformação molecular se
opera diferentemente, porquanto o fluido conserva a sua imponderabilidade e suas
qualidades etéreas. No corpo material, essa condensação tem mais
ponderabilidade.
Bibliografia Consultada
KARDEC, A. A
Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de
Janeiro: FEB, 1975, capítulo 14.
EQUIPE DA FEB. O
Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro: FEB, 1995.
São Paulo, abril de 2009.
Sérgio Biagi Gregório
1) O que significa a palavra gênese?
É o conjunto dos fatos que concorrem para a produção de
qualquer coisa. Em Biologia, é a formação, produção ou desenvolvimento de uma
célula, de um órgão, de uma espécie. Em se tratando da religião, a palavra
refere-se à criação do Universo, do Planeta, do ser humano e das coisas em
geral.
2) Para que servem os mitos da criação?
O mito constitui a primeira tentativa da humanidade de
interpretar os mistérios do Universo. Ele tem a forma de uma narrativa e se
refere sempre a uma criação, conta a forma como alguma começou a existir. O ser
humano, não podendo ter uma idéia clara da criação, vale-se de uma alegoria, de
uma história, de uma fantasia. Por isso, os mitos da criação descrevem os
modelos, os arquétipos da ação humana através dos atos originários dos "deuses"
nos diversos campos.
3) Na impossibilidade de sabermos acerca da origem da vida e
do Universo, a hipótese do big bang nos satisfaz?
O big bang (grande explosão) não é uma explosão, no
sentido literário da palavra, é uma afirmação decorrente da hipótese do Universo
em expansão. Construindo aparelhos mais sofisticados, os cientistas descobriram
que o Universo está em expansão, ou seja, as estrelas e as galáxias estão se
distanciando. Se hoje elas estão mais distantes, deduz-se que tempos atrás elas
estavam mais pertos. Daí a suposição do big bang, elemento propulsor
dessa expansão.
Pergunta — Se Atlas sustenta o mundo, quem sustenta Atlas?
Resposta — Atlas está em cima de uma tartaruga.
Pergunta — E a tartaruga está em cima de quê?
Resposta — De outra tartaruga.
Pergunta — E essa tartaruga está em cima de quê?
Resposta — Meu caro, é tartaruga até o fim!
Ilustração da regressão infinita, a busca da primeira causa –
da vida, do universo, do tempo e espaço e, mais significativamente, de um
Criador. Creatio ex nihilo (criação a partir do nada).
4) Como a ciência descreve a origem da vida e do homem?
Segundo a Ciência, a vida é o resultado de uma
complexa evolução que durou uma centena de milhões de anos. Sua origem nos é
infensa. Contudo, estabelece algumas hipóteses sobre o começo. Dentre as
hipóteses aventadas, a mais aceite pelos cientistas é a de que a vida se
originou a partir da formação do protoplasma, matéria elementar das células
vivas. O protoplasma evolui para as bactérias, vírus, amebas, algas, plantas,
animais até chegar à formação do homem.
5) Como a criação é descrita na Bíblia?
Segundo a Bíblia, no princípio dos tempos Deus criou,
simultaneamente, todas as plantas e animais superiores, a partir da matéria
inerte. Deus, do pó da terra, forma o primeiro homem - Adão -, sopra-lhe as
narinas e lhe dá vida. Retira-lhe uma de suas costelas e cria a Eva. Esta é
tentada pela serpente e come, juntamente, com Adão o fruto proibido - a maçã.
6) Como o Espiritismo interpreta a criação?
Segundo o Espiritismo, a vida, também, é o resultado
desta complexa evolução comprovada pela Ciência. Allan Kardec em A Gênese,
André Luiz em Evolução em Dois Mundos e Emmanuel em A Caminho da Luz
atestam para a formação da camada gelatinosa, depois das altas temperaturas
e resfriamento pelo qual passou o nosso planeta, na época de sua constituição,
há cinco bilhões de anos. Há o aparecimento do protoplasma e toda a cadeia
evolutiva. A diferença entre Ciência e Espiritismo é que o segundo faz intervir
a ação dos Espíritos no processo de evolução.
7) O que dá vida à matéria?
O princípio inteligente, segundo Allan Kardec, é que anima a
matéria. Como explicar? Deus é a causa primária de tudo. DELE vertem-se dois
PRINCÍPIOS: PRINCÍPIO ESPIRITUAL E PRINCÍPIO MATERIAL. Para que possamos
entender essa trilogia espírita, necessitamos incluir a noção de fluido
universal, elemento primordial da matéria. Condensando-se o Fluido Universal,
teremos os vários tipos de matéria: matéria bruta, corpo físico, perispírito,
fluido vital etc. O Espírito, como essência, difere de tudo o que conhecemos por
matéria.
8) Como se processa a união do Espírito ao corpo físico?
No ato da concepção, o perispírito se contrai até a dimensão
de uma molécula, que se liga ao PRINCÍPIO VITO-MATERIAL DO GÉRMEN. Desenvolve-se
unindo molécula por molécula ao novo corpo em formação. O Espírito fica ligado,
não unido ao corpo físico. Somente quando a criança vem à luz é que se une por
completo, quando se dá o fenômeno do esquecimento do passado e a tomada da
consciência da nova existência terrena.
9) Dê-nos algum exemplo da interpretação de Allan Kardec
sobre a linguagem figurada da Bíblia.
Allan Kardec, no capítulo XII de A Gênese,
esclarece-nos com precisão a linguagem figurada da Bíblia. Adão e Eva não seria
o primeiro e único casal, mas a personificação de uma raça, denominada adâmica;
a serpente é o desejo da mulher de conhecer as coisas ocultas, suscitado pelo
espírito de adivinhação; a maçã consubstancia os desejos materiais da
humanidade.
Bibliografia Consultada
CURTI, R.
Espiritismo e Evolução. São Paulo, FEESP, 1980.
KARDEC, A. A
Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed., Rio de
Janeiro, FEB, 1976.
XAVIER, F. C. A
Caminho da Luz - História da Civilização à Luz do Espiritismo, pelo Espírito
Emmanuel. Rio de Janeiro, FEB, 1972.
XAVIER, F. C. e
VIEIRA, W. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, 4. ed., Rio
de Janeiro, FEB, 1977.
São Paulo, abril de 2008
Sérgio Biagi Gregório
1)O que significa geração?
Ação ou efeito de gerar. Produção de novo ser semelhante
àquele que o origina. É a ação de gerar equivalendo à função biológica de
reprodução. Desde Aristóteles e até o século XVII admitia-se a teoria da geração
espontânea, a partir da matéria inerte, para os animais inferiores, como
insetos, vermes ou até ratos. Em 1860, Pasteur a refutou em termos científicos.
Segundo a moderna concepção biológica, efetivamente, não há vida antecedente e a
geração é uma reprodução. (Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado)
2) Onde situar este tema?
A Geração Nova é um sub-tema do capítulo XVIII, São
Chegados os Tempos, do livro A Gênese, de Allan Kardec. Quando os
tempos chegarem, haverá grandes acontecimentos para a regeneração da humanidade.
Aos incrédulos, nada diz; aos crentes, algo de místico, de sobrenatural. Allan
Kardec quer provar que as duas interpretações estão erradas. Ele diz: "A
primeira, porque envolve uma negação da Providência; a segunda, porque tais
palavras não anunciam a perturbação das leis da Natureza, mas o cumprimento
dessas leis".
3) Como distinguir a geração nova da velha?
A geração nova caracteriza-se pela aquisição da
inteligência e da razão, ainda incipientes, juntas ao sentimento inato do
bem. Não se comporá exclusivamente de Espíritos superiores, mas daqueles que já
tenham feito algum progresso moral e intelectual e se acham em condições de dar
continuidade ao progresso já alcançado.
A geração velha, composta de Espíritos atrasados,
caracteriza-se pela revolta contra Deus, pelo se negarem a reconhecer qualquer
poder superior aos poderes humanos. Neles há a propensão instintiva para as
paixões degradantes, para os sentimentos antifraternos de egoísmo, de orgulho,
de inveja, de vaidade etc.
4) De que maneira surgirá a geração nova?
Chegado o tempo, haverá grande emigração de Espíritos. Os
Espíritos que praticam o mal pelo mal serão recambiados para outros
orbes, mais inferiores do que o Planeta Terra. É da lei do progresso que essas
coisas acontecem. É que o Planeta Terra também está passando por uma
transformação, ou seja, de mundo de provas e expiações para o mundo de
regeneração. Neste novo mundo, os Espíritos recalcitrantes no mal não terão mais
vez e precisarão ir para outro lugar, para não atrapalhar o progresso dos que
aqui estarão reencarnados.
5) Dê-nos um exemplo.
Suponha uma comunidade, composta, na sua maioria, de homens
turbulentos e indisciplinados, cuja lei penal é difícil de se colocar em
prática. Os bons se vêem tolhidos e impossibilitados de agirem em prol do bem.
Suponha, por sua vez, que esses Espíritos, voltados ao mal, vão desencarnando 1
a 1, 10 a 10, 100 a 100. Ao mesmo tempo, eles vão sendo substituídos pela
reencarnação de Espíritos bons. O que acontecerá? Em pouco tempo teremos uma
população totalmente renovada para o bem.
6) Qual o objetivo dos desencarnes coletivos?
É uma forma de transformar mais rapidamente o espírito da
massa, livrando-a das más influências e propiciando maior ascensão às idéias
novas. Esse desencarne inesperado ajuda os Espíritos a pensarem de uma maneira
mais eficaz do que se ficassem aqui praticando o mal.
7) Os Espíritos da geração nova são Espíritos de outros
orbes?
Não. A lei do progresso mostra-nos que todos nós somos
obrigados a evoluir, quer queiramos ou não. Um Espírito reencarnado, como
geração nova, não necessariamente precisa ser de outro planeta, mais evoluído do
que a Terra. Pode ser um Espírito que tenha vivido erradamente na Terra, mas que
tenha melhorado consideravelmente no mundo dos Espíritos. Estando em melhores
condições, inclusive a de não atrapalhar o progresso dos demais, os Espíritos
superiores concedem-lhe mais uma oportunidade de reencarnação no planeta Terra.
8) O movimento New Age é uma amostra da geração nova?
Não. O fenômeno New Age originou-se nos Estados
Unidos, identificada como a passagem do Sol da constelação de Peixes para a de
Aquário. Em linhas gerais, o movimento New Age, iniciada por
Marilyn Ferguson, com o seu livro Conspiração Aquariana, em 1989, tinha
por objetivo juntar grupos díspares, tais como, a homeopatia, a gnose, a
medicina alternativa, o esoterismo e as técnicas de meditação oriental. Com
isso, criou-se uma ideologia, a ideologia da nova geração. Acontece que toda a
ideologia é uma falsidade do pensamento. A sua falsidade está em renegar Cristo
a favor dessa miscelânea de crenças.
9) Qual é o espírito da geração nova?
Allan Kardec fala-nos da nova geração, de uma geração calcada
no amor ao próximo e numa postura voltada para a atuação da inteligência e da
intuição. Não haverá necessidade de pertencer a grupos específicos, fazer retiro
ou mesmo meditação. Importa-nos a perfeita compreensão do que seja atuar num
mundo totalmente mais evoluído que o nosso.
Bibliografia Consultada
KARDEC, A. A
Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de
Janeiro: FEB, 1975.
POLIS - ENCICLOPÉDIA
VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.
São Paulo, maio de 2008.
1) Quem foi Allan Kardec?
— Allan kardec, pseudônimo de Hippolyte-Léon Denizard Rivail, descendente de antiga família lionesa, cujos antepassados haviam muito se destacado na magistratura e na advocacia, foi o codificador da Doutrina dos Espíritos.
Hippolyte-Léon Denizard Rivail nasceu no dia 3 de outubro de 1804;
Allan Kardec, no dia 18/04/1857, quando do lançamento de O Livro dos Espíritos.
2) Quem era a esposa de Allan Kardec?
— Amélie-Gabrielle Boudet, nascida em 1795, foi professora primária e também de Letras e Belas Artes, trazendo de encarnações passadas a tendência inata, por assim dizer, para a poesia e o desenho. Culta e inteligente, chegou a dar à luz três obras, assim nomeadas: "Contos Primaveris", 1825; "Noções de Desenho", 1826; "O Essencial em Belas Artes", 1828.
Na obra, tornou-se ela a sua secretária.
3) O que se entende por Codificação Espírita ou Kardequiana? (1)
—A Codificação Espírita ou Kardequiana, chamada muitas vezes de Pentateuco Kardequiano, compõe-se dos livros: "O Livro dos Espíritos" (1857), "O Livro dos Médiuns" (1861), "O Evangelho Segundo o Espíritismo" (1864), "O Céu e o Inferno" (1865) e "A Gênese" (1868).
A grande obra de Allan Kardec, porém, vai além destes livros básicos.
Podemos acrescentar:
"O que é o Espiritismo" (1859);
"O Espiritismo em sua Expressão mais Simples" (1862);
"Viagem Espírita" (1862);
"Obras Póstumas" (1890);
"Revista Espírita", jornal de estudos psicológicos, em fascículos mensais, redigidos e publicados pelo próprio Kardec. A coleção completa consta de 12 volumes, resultantes de 11 anos e quatro meses de trabalho intensivo. Foi editada pela primeira vez em 1.º de janeiro de 1858.
4) Qual a missão de Allan Kardec?
— A missão de Allan Kardec foi trazer à luz os princípios superiores da fé raciocinada, sem contudo destruir, as escolas de fé, até agora existentes. É por esta razão que o Espírito Emmanuel, no livro Roteiro, diz que "O Espiritismo é, acima de tudo, o processo libertador das consciências, a fim de que a visão do homem alcance horizontes mais altos".
5) Como era a época de Allan Kardec? (2)
— A época de Allan Kardec diz respeito ao homem do século XIX, século de profundas e agitadas discussões filosóficas, século em que se hipertrofiou muito o espírito crítico.
Por outro lado, Allan Kardec teve uma formação humana muito propensa ao raciocínio analítico, à controvérsia religiosa e filosófica.
O Positivismo de Augusto Comte e o Evolucionismo invadiram o pensamento da elites. Conseqüência: fora dos fenônemos objetivos, tudo era metafísica.
6) Em que meio se deu a codificação? (2)
— O Espiritismo foi codificado na França, berço da civilização ocidental.
Berço esse impregnado de doutrinas contrárias à velha fé, mas também indiferentes aos altos problemas de filosofia espiritualista.
Como falar de reencarnação diante de tanto ceticismo e em meio a tantas divergências doutrinárias nos círculos intelectuais e, até certo ponto, na própria esfera religiosa?
7) O que influenciou Kardec? (2)
— O Humanismo, o Racionalismo e o Universalismo.
Observe que havia mais preocupação com as idéias gerais do que propriamente com as técnicas, o conhecimento específico.
"O Evangelho Segundo o Espiritismo" demonstrou isso. Tanto que Kardec teve o cuidado de selecionar os tópicos que dizem mais de perto ao amor ao próximo.
A sua definição de fé é uma decorrência do Racionalismo. Ele diz: "Fé inabálavel é somente aquela que consegue enfrentar a razão,face a face, em todas as épocas de humanidade".
8) Em que pontos e até onde Kardec está desatualizado? O que podemos fazer para atualizá-lo? (3)
— Os que dizem que Kardec está desatualizado, não o dizem onde.
A única coisa ressalvável é a sua linguagem restrita e compatível com o nível da época em que viveu.
Exemplo: Kardec era obrigado a falar de fluido magnético porque naquele tempo não se conhecia o átomo. Dessa forma, tudo o que transcendia à matéria era considerado fluídico. Mesmo assim fez uma ressalva, dizendo que estava usando essa linguagem na falta de outra melhor.
(1) FEESP. Curso Básico de Espiritismo (2.º Ano). São Paulo, FEESP, 1991.
(2) AMORIM, D. Allan Kardec. 2. ed., Minas Gerais, Instituto Maria, 1976.
(3) IMBASSAHY, C. de B. Quem Pergunta Quer Saber. São Paulo, Petit, 1992.
São Paulo, julho de 2006
Sérgio Biagi Gregório
1) Qual o objetivo de O Livro dos Médiuns?
O Livro dos Médiuns destina-se a guiar os que queiram
entregar-se à prática das manifestações, dando-lhes conhecimentos dos meios
próprios para se comunicarem com os Espíritos. É um guia, tanto para médiuns,
como para os evocadores (doutrinadores), e o complemento de O Livro dos
Espíritos. (1)
2) Quando foi publicado? O que engloba?
É a segunda obra da Codificação, publicada em 1861 (janeiro),
que englobava, outrossim, as "Instruções Práticas sobre as Manifestações
Espíritas", publicadas em 1858, e era, conforme esclarece Allan Kardec, a
continuação de O Livro dos Espíritos. A edição definitiva é a 2ª,
de outubro de 1861. (2)
3) O que contém O Livro dos Médiuns?
O Livro dos Médiuns contém o ensino especial dos
Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de
comunicação com o Mundo Invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as
dificuldades e os escolhos que se podem encontrar na prática Espiritismo. (1)
4) Quais são as teorias sobre os gêneros de mediunidade?
Allan Kardec, com o auxilio dos Instrutores
Espirituais, desenvolve as teorias sobre as mesas girantes, a bi-corporeidade, a
transfiguração, a tiptologia... no campo da manifestações físicas, e a
psicografia, a psicofonia (médiuns falantes), a vidência (médiuns videntes) ...
no campo das manifestações inteligentes.
5) Quais são os meios de comunicação com o mundo invisível?
Os meios de comunicação estudados por Allan Kardec vão desde
as mesas girantes até as comunicações mais abstratas, tais como, a
pneumatografia e a pneumatofonia. O capítulo XIX, "O Papel do Médium nas
Comunicações Espíritas", por exemplo, dá-nos diversas orientações sobre o transe
mediúnico.
6) Quais são as dificuldades e escolhos na prática da
mediunidade?
Distinguir o que é do médium (anímico) e o que é do Espírito
(mediunidade), é uma das grandes dificuldades das práticas espíritas. Nesse
sentido, o médium pode sofrer a influência de Espíritos menos felizes ou mesmo
ser fascinado por suas próprias ideias. Além disso, Allan Kardec chama-nos a
atenção sobre as perguntas que podemos fazer aos Espíritos, sobre as
contradições, as mistificações, o charlatanismo e a prestidigitação, entre
outras.
7) Por que Allan Kardec insistia tanto no método científico
das manifestações mediúnicas?
Allan Kardec, depois de publicar O Livro dos Espíritos, que
continha a teoria geral da Doutrina Espírita, precisava, segundo seu modo de
ver, de uma comprovação científica, pois a ciência já cultivava o método
teórico-experimental. Criando o seu próprio método, quis pôr os princípios do
Espiritismo a salvo das fraudes e das mistificações, tão corriqueiras na época
da codificação.
8) O Livro dos Médiuns está desatualizado?
Atualização e desatualização devem ser ponderadas. É possível
que alguns termos, utilizados por Allan Kardec na época, possam ser mais
bem explicados pela ciência moderna. Tanto é verdade que o Espírito André Luiz,
em "Mecanismos da Mediunidade", já nos apresenta alguns desses termos. Isso,
porém, não tira o valor conceitual desta obra, que ainda é o melhor guia para
aqueles que queiram aprender os fundamentos da mediunidade.
Fonte de Consulta
(1) KARDEC, A. O
Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores. São Paulo:Lake,
[s.d.p.]
(2) BARBOSA, P. F.
Espiritismo Básico. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1987.
São Paulo, julho de 2009.
Sérgio Biagi Gregório
1) O que é a mediunidade?
A mediunidade é uma faculdade orgânica, humana, natural, em
que se estabelecem as relações entre os Espíritos e os médiuns. Mediunidade é
intercâmbio entre o mundo dos desencarnados e o mundo dos encarnados. É uma
propriedade do organismo e não depende das qualidades morais do médium.
2) Como se divide a mediunidade?
Allan Kardec, para efeito metodológico, dividiu a mediunidade
em duas grandes áreas: a mediunidade de efeitos físicos e a mediunidade
de efeitos inteligentes. Dá-se o nome de manifestações físicas
àquelas que se traduzem por efeitos sensíveis, tais como os barulhos, o
movimento e o deslocamento dos corpos sólidos. Podem ser espontâneos ou
provocados. Para que a manifestação seja inteligente, é suficiente que prove um
ato livre e voluntário, que exprima uma intenção ou responda a um pensamento.
3) Todos somos médiuns?
Sim. Para uma resposta mais objetiva a esta pergunta, urge
distinguirmos os conceitos de mediunidade natural e de mediunidade tarefa.
Quando dizemos que todos somos médiuns, estamos nos referindo à mediunidade
natural, em que toda a humanidade é suscetível de sentir a influência dos
Espíritos. A mediunidade tarefa, ou mediunato, diz respeito a um compromisso
mediúnico que o Espírito assumiu no mundo dos Espíritos. Estando encarnado, deve
trabalhar mediunicamente, sob pena de sofrer dificuldades espirituais na vida
presente.
4) Qual o papel do médium na comunicação mediúnica?
A função do médium é servir de intermediário ao Espírito
comunicante. Para servir de intermediário, deve aprender a se apassivar, ou
seja, deixar-se envolver pelo Espírito manifestante. Quanto menos influenciar a
comunicação, mais a comunicação se tornará mediúnica; quanto mais influenciar,
mais a comunicação se tornará anímica. Em todo o caso, o médium nunca é
completamente passivo. Em O Livro dos Médiuns, capítulo 20, item 10,
Kardec diz: "É passivo quando não mistura suas próprias ideias às do Espírito
estranho; porém jamais é absolutamente nulo; seu concurso é sempre necessário
como intermediário, mesmo nos que vocês chamam de médiuns mecânicos".
5) Como diferenciar os termos: animismo, mediunismo e
mediunidade?
Mediunismo é um termo cunhado pelo Espírito Emmanuel para
designar as formas primitivas de mediunidade que fundamentam as crenças e
religiões primitivas. A mediunidade é
o mediunismo desenvolvido, racionalizado e submetido à reflexão religiosa e
filosófica e às pesquisas científicas necessárias ao esclarecimento dos
fenômenos, sua natureza e suas leis. Animismo é o grau de influência que
o médium exerce nas comunicações mediúnicas.
6) O que se entende por desenvolvimento mediúnico?
Desenvolver a mediunidade não é receber Espíritos, fazer
psicografia ou desdobrar-se em sessões espíritas, embora isso faça parte dos
exercícios práticos mediúnicos. Desenvolver a mediunidade é capacitar-se a
entrar em contato com os Espíritos de luz, recebendo deles valiosos ensinamentos
para uma vivência plena e serena.
São Paulo, março de 2009
Sérgio Biagi Gregório
1) O que significa a palavra milagre
No entender das massas, um milagre implica a idéia de
um fato extranatural. No sentido teológico, é uma derrogação das Leis da
Natureza, por meio do qual Deus manifesta o seu poder. Etimologicamente, vem do
verbo latino mirare, que significa admirar-se, maravilhar-se. Segundo o
Espiritismo, O milagre é sempre o coroamento, mas nunca derrogação das
Leis naturais, que funcionam igualmente, para todos. É a designação de fatos
naturais cujo mecanismo familiar à Lei Divina ainda se encontra defeso ao
entendimento fragmentário da criatura.
2) O milagre, segundo a teologia, é uma violação pura e
simples das leis da natureza?
Não. Se assim fosse, teriam razão os cientistas que observam
a constância das leis físicas. Precisamos observá-lo de outro modo. O milagre é
sinal de aparecimento de uma nova ordem no mundo – a ordem sobrenatural da
salvação. No Velho Testamento Deus dá este "sinal" ao povo de Israel; no Novo
Testamento, Jesus Cristo é o emblema da salvação. Todos os milagres, realizados
por Jesus, nada mais são do que um prolongamento desse milagre inicial, que foi
a vinda do Cristo ao mundo. (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura)
3) Quais são os caracteres dos milagres?
a) Ser inexplicável. Por isso se realiza à revelia da
Lei Natural. Conhecida a lei natural, o milagre deixa de existir e o poder dos
milagreiros é posto à prova.
b) Ser insólito, isolado, excepcional. Os milagres
duram enquanto não se descobre a lei natural implícita em cada um deles. Não é
por acaso que a ciência sempre foi vista com desdém pelos monopolizadores dos
milagres. Por trás desse fato há o receio de que a descoberta da lei natural
possa lhes tirar boa parte de seu poder sobre os seus fiéis. (Kardec, 1975, cap.
XIII)
4) O Espiritismo faz milagres?
Não. O Espiritismo veio revelar novas leis e explicar os
fenômenos compreendidos na alçada dessas leis. Esses fenômenos se prendem à
existência de Espíritos e da sua atuação no mundo material. A isso, dá-se o nome
de sobrenatural. Desvendado esse mistério, por força do conhecimento do mundo
espiritual e da sua influência sobre o mundo material, o sobrenatural deixa de
existir e, por conseqüência, os milagres que daí decorrem. (Kardec, 1975, cap.
XIII)
5) Faz Deus milagres?
Deus, na sua soberania incomensurável, poderia fazê-los. Será
que Ele derroga as leis que Ele próprio criou? Que necessidade teria Deus de
fazer milagres? Como Deus não faz coisas inúteis, depreende-se que nada no
Universo se produz fora do âmbito das leis gerais. Em outras palavras, Deus não
faz milagres, porque, sendo perfeitas as suas leis, não lhe é necessário
derrogá-las. (Kardec, 1975, cap. XIII)
6) A tese do sobrenatural, como fundamento das religiões, é
sustentável?
Não. É, inclusive, perigosa. Por quê? As verdades do
Cristianismo não podem ser construídas apenas sobre o maravilhoso, pois este é
um alicerce muito fraco. Suponha que se demonstre que todas as colocações
sobrenaturais sejam naturais. Acabar-se-ia a religião. Allan Kardec enfatiza que
"o de que necessitam as religiões não é do sobrenatural, mas do
princípio espiritual, que erradamente costumam confundir com o
maravilhoso e sem o qual não há religião possível". (Kardec, 1975, cap. XIII)
7) Como se explicam os milagres narrados nos Evangelhos?
A compreensão dos milagres está no estudo dos fluidos. Os
fluidos podem ser espirituais ou materiais. Em se tratando do ser humano,
fala-se em magnetismo.
Segundo Allan Kardec, a ação magnética pode produzir-se de
diversas maneiras:
1) pelo próprio fluido do magnetizador
è magnetismo humano;
2) pelo fluido dos Espíritos, atuando diretamente e sem
intermediário sobre o encarnado è
magnetismo espiritual;
3) pelos fluidos que os Espíritos derramam sobre o
magnetizador, que serve de veículo para esse derramamento
è magnetismo misto, semi-espiritual ou humano-espiritual.
(Kardec, 1975, cap. XIV)
8) Quais são os casos relatados por Allan Kardec?
Sonhos, Estrela dos Magos, Dupla Vista (Entrada de Jesus
em Jerusalém, Beijo de Judas, Pesca Milagrosa, Vocação de Pedro, André, Tiago,
João e Mateus), Curas (Perda de Sangue, Cego de Betsaida, Paralítico, Os
Dez Leprosos, Mão Seca, A Mulher Curvada, O Paralítico da Piscina, Cego de
Nascença, Numerosas Curas Operadas por Jesus), Possessos, Ressurreições (A
Filha de Jairo, Filho da Viúva de Naim) Jesus Caminha sobre a Água,
Transfiguração, Tempestade Aplacada, Bodas de Caná, Multiplicação dos Pães (O
Fermento dos Fariseus, O Pão do Céu), Tentação de Jesus, Prodígios por Ocasião
da Morte de Jesus, Aparição de Jesus, após a sua Morte e Desaparecimento do
Corpo de Jesus. (Kardec, 1975, cap. XV)
9) Poderia exemplificar-nos alguns desses casos?
1) A utilização da lama feita de saliva e terra para
curar o cego de nascença. Evidentemente, a lama feita de saliva e terra nenhuma
virtude podia encerrar, a não ser pela ação do fluido curativo de que fora
impregnada. Do mesmo modo, pode-se falar da magnetização da água, servindo de
veículo, de reservatório de energia.
2) A perda de sangue. É o caso de uma mulher que
sofria, há mais de dez anos, de hemorragia. Somente em tocar a vestes de Jesus,
Ele sentira que uma virtude tinha saído dele.
3) A pesca miraculosa. Explica-se pela dupla
vista. Jesus não produziu espontaneamente peixes onde não os havia; ele viu com
a vista da alma.
4) Jesus caminha sobre as águas. Jesus, embora
estivesse vivo, pôde aparecer sobre a água, com uma forma tangível, estando
alhures o seu corpo. É a hipótese mais provável. Pode-se, também, explicar o fato através
do fenômeno de levitação. (Kardec, 1975, cap. XV)
Bibliografia Consultada
ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE
CULTURA. Lisboa: Verbo, [s. d. p.]
KARDEC, A. A
Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de
Janeiro: FEB, 1975.
São Paulo, maio de 2008
Sérgio Biagi Gregório
1) O que é uma missão?
Segundo o Dicionário Aurélio: 1. Função ou poder que se
confere a alguém para fazer algo; encargo, incumbência. 2. Função especial da
qual um governo encarrega diplomata (s) ou agente (s) junto a outro país.
2) O que é uma missão superior? O que se entende por
missionários?
Missão superior é aquela que objetiva a regeneração da
Humanidade e que, pelo seu conjunto e sua força, se estenderá, dominando a ação
de todos os outros missionários. A missão do superior é amparar o inferior e
educá-lo.
Os missionários, por sua vez, são Espíritos superiores que
encarnam com o fim de fazer progredir a Humanidade. (1)
3) Quais outros tipos de missão?
Missão da Doutrina Espírita: consolar e instruir, em
Jesus, para que todos mobilizem as suas possibilidades divinas no caminho da
vida.
Missão de Jesus: transmitir aos homens o pensamento de
Deus.
Missão dos Apóstolos: especialmente a de Paulo, consistia
em preparar e abrir os caminhos à era do Espírito.
4) Em que consiste a missão dos Espíritos encarnados?
(pergunta 573)
Em instruir os homens, em lhes auxiliar o progresso; em lhes
melhorar as instituições, por meios diretos e materiais. As missões, porém, são
mais ou menos gerais e importantes. O que cultiva a terra desempenha tão nobre
missão, como o que governa, ou o que instrui. Tudo em a Natureza se encadeia. Ao
mesmo tempo em que o Espírito se depura pela encarnação, concorre, dessa forma,
para a execução dos desígnios da Providência. Cada um tem neste mundo a sua
missão, porque todos podem ter alguma utilidade. (2)
5) A missão de um Espírito lhe é imposta?
As missões superiores, antes de serem impostas, são
solicitadas pelos Espíritos. Eles se alegram muito quando são atendidos.
6) O Espírito que reencarna com uma missão definida receia
malograr tal qual acontece com aquele que a tem como prova?
Não. Como já tem experiência, e de certo modo, pediu aquela
missão, ele sempre se enche de brio para poder levar avante a sua tarefa.
7) Como reconhecer um Espírito missionário? (pergunta 575)
Pela sua moral e o seu caráter, pelas grandes coisas que
opera, pelos progressos a cuja realização conduz seus semelhantes.
8) Quais são as recomendações dos benfeitores espirituais a
respeito da ocupação e missão dos Espíritos?
Os Espíritos encarnados têm ocupações inerentes às suas
existências corpóreas. No estado de erraticidade, ou de desmaterialização, tais
ocupações são adequadas ao grau de adiantamento deles. Uns percorrem os mundos,
se ocupam com o progresso, dirigindo os acontecimentos e sugerindo idéias que
lhe sejam propícias. Assistem os homens de gênio que concorrem para o
adiantamento da Humanidade. Outros encarnam com determinada missão de progresso.
Outros tomam sob sua tutela os indivíduos, as famílias, as reuniões, as cidades
e os povos, dos quais se constituem os anjos guardiões, os gênios protetores e
os Espíritos familiares. Outros, finalmente, presidem aos fenômenos da Natureza,
de que se fazem os agentes diretos. Os Espíritos vulgares se imiscuem em nossas
ocupações e diversões. Os impuros ou imperfeitos aguardam, em sofrimentos e
angústias, o momento em que praza a Deus proporcionar-lhes meios de se
adiantarem. Se praticam o mal, é pelo despeito de ainda não poderem gozar do
bem.
Bibliografia Consultada
(1) EQUIPE DA FEB.
O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro: FEB, 1995.
(2) KARDEC, A. O
Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
São Paulo, julho de 2009.
Sérgio Biagi Gregório
1) Que é a morte?
Morte é a exaustão dos órgãos físicos. É a cessação da vida e
manifesta-se pela extinção das atividades vitais: crescimento, assimilação e
reprodução no domínio vegetativo; apetites sensoriais no domínio sensitivo.
Segundo o Espiritismo, a morte é o desprendimento total do
Espírito do corpo físico em conseqüência da ruptura do laço fluídico, que prende
ou liga um ao outro.
2) É o corpo que deixa o Espírito ou o Espírito que deixa o
corpo?
É o corpo que deixa o Espírito, pois não tendo mais
vitalidade se desgarra deste. Assemelha-se à queda da fruta, quando esta está
madura. Allan Kardec disse: "Por um efeito contrário, a união do perispírito e
da matéria carnal, que se efetuara sob a influência do princípio vital do
gérmen, cessa, desde que esse princípio deixa de atuar, em conseqüência da
desorganização do corpo. Mantida que era por uma força atuante, tal união se
desfaz, logo que essa força deixa de atuar. Então, o perispírito se desprende,
molécula a molécula, conforme se unira, e ao Espírito é restituída a
liberdade. Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo;
esta é que determina a partida do Espírito". (Kardec, 1975, cap. XI, item
18)
3) De onde vem o temor da morte?
O temor da morte tem várias causas: o medo do desconhecido,
lembranças menos felizes de desencarnes passados, impressões impostas pelas
religiões, mancha na consciência etc. Allan Kardec disse: "Este temor é um
efeito da sabedoria da Providência e uma conseqüência do instinto de conservação
comum a todos os viventes. Ele é necessário enquanto não se está suficientemente
esclarecido sobre as condições da vida futura". (Kardec, 1975, cap. II, item 2)
4) Os espíritas temem a morte?
Não. O Espiritismo ensina-nos que a morte não existe. O
espírita sabe que o verdadeiro mundo é o mundo dos Espíritos. Este, em que
vivemos, é apenas transitório, serve de morada ao Espírito, de apoio à sua
evolução moral e espiritual. Assim, ele tem certeza que a vida continua para
além do corpo físico. Isso, inclusive, lhe dá garantia de que ao desencarnar vai
encontrar seus familiares e amigos.
5) Como se dá a separação do Espírito do corpo físico?
Quando a morte é natural, o desprendimento começa pelos pés,
indo progressivamente até a cabeça, onde está situado o centro de força
coronário, o último a desatar por causa de sua estreita ligação com o Espírito.
6) Desprendendo-se do corpo, para onde vai a alma?
As religiões ortodoxas dizem que alma vai para o Céu ou para
o Inferno. O Espiritismo ensina-nos que a alma vai para onde a levar o peso
específico de seu perispírito. Irá para um lugar beatífico, ou cheio de trevas,
conforme tiver sido a sua passagem por este mundo de provas e expiações.
Em se tratando das expectativas da vida futura, convém
eliminar a visão miraculosa do desencarne. Aquele que só praticou o mal, não
espere o paraíso. Lembremo-nos de que o Universo é regido por leis, físicas e
morais. No caso, são as leis morais que determinarão a nossa rota no mundo dos
Espíritos.
7) É o vivo que está morto ou o morto que está vivo?
Passado o momento de adaptação ao mundo dos desencarnados,
somos levados a aceitar que eles estão mais vivos do que nós. Sem o corpo
físico, eles têm mais condições de se locomover, pensar e de observar, inclusive
os nossos passos aqui na Terra, sem que o saibamos.
8) Por que pensamos na morte dos outros e não na nossa?
É o instinto de conservação falando mais alto. Contudo,
devemos pensar numa educação para a morte, como o fez José Herculano Pires, num
livro com este título, para que ela não nos pegue desprevenidos, como é o caso
do homem rico que não sabia o que fazer com sua riqueza. Depois de construir
muitos celeiros, disse à sua alma: "Minha alma, tens de reserva muitos bens para
longos anos; repousa, come, bebe, goza. Mas, Deus, ao mesmo tempo, disse ao
homem: Que insensato és! Esta noite mesmo tomar-te-ão a alma; para que servirá o
que acumulaste? É o que acontece àquele que acumula tesouros para si próprio e
que não é rico diante de Deus". (S. LUCAS, cap. XII, vv. 13 a 21)
Bibliografia Consultada
KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o
Espiritismo. 17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
KARDEC, A. O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina Segundo o
Espiritismo. 22. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
Março/2008
Sérgio Biagi Gregório
1) O que significa a palavra obsessão? Quais são os seus
caracteres?
Obsessão é a influência que Espíritos inferiores exercem
em determinados indivíduos. Decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá
ascendência a um Espírito mau. Reconhecemos a obsessão pelos seguintes
caracteres: 1) persistência de um único Espírito em querer comunicar-se; 2)
ilusão do médium, impedindo-o de reconhecer o ridículo e a falsidade da
comunicação que recebe; 3) tomar por mal as críticas a respeito das comunicações
que recebe; 4) desejo incessante e inoportuno de escrever; 5) disposição de se
afastar das pessoas que lhe podem dar úteis avisos. (1)
2) Quais são os graus da obsessão?
1) Obsessão Simples: persistência do Espírito em
comunicar-se, quer o médium queira, quer não, impedindo que outros Espíritos o
façam.
2) Fascinação: ação direta exercida por um Espírito
inferior sobre a do indivíduo, perturbando ou embaralhando suas idéias.
3) Subjugação: constrição exercida por Espírito (ou
Espíritos inferiores), a qual paralisa a vontade de maneira contrária aos
próprios desejos e sentimentos, levando-o à aberração das faculdades
psicofisiológicas. Pode apresentar-se de forma moral ou corporal. (1)
3) Quais são as causas da obsessão?
Os Espíritos influenciam os encarnados pelas seguintes
razões: 1) vingança que exerce sobre um indivíduo do qual teve do que se queixar
durante sua vida ou numa outra existência; 2) desejo de fazer o mal (como sofre,
quer que os outros sofram também); 3) covardia (aproveitam-se das fraquezas
morais de certos indivíduos) (1)
4) Quem causa obsessão em quem?
Geralmente, achamos que estamos sendo obsedados pelos
Espíritos menos felizes. Nem sempre é assim. Muitas vezes, somos nós que os
obsedamos, principalmente quando um parente desencarna e nós ficamos pensando
nele dia e noite. Os Espíritos superiores orientam-nos a orar por eles e deixar
que cada qual siga o seu caminho.
5) Explique a obsessão em termos da simbiose das mentes
Qual se verifica entre a alga e o cogumelo, a mente encarnada
entrega-se, inconscientemente, ao desencarnado que lhe controla a existência,
sofrendo-lhe temporariamente o domínio até certo ponto, mas, em troca, à face de
sensibilidade excessiva de que se reveste, passa a viver, enquanto perdure
semelhante influência necessariamente protegido contra o assalto de forças
ocultas ainda mais deprimentes. (2)
6) Que relação há entre obsessão e vampirismo?
Vampiro é toda entidade ociosa que se vale, indebitamente,
das possibilidades alheias. Em se tratando dos Espíritos que sugam as energias
dos encarnados, devemos reconhecer que eles atendem ao chamamento destes. De
modo que a eliminação da influência menos feliz deve começar em nós mesmos. (3)
7) Há possibilidade de a possessão ser de um Espírito bom?
Na obsessão há sempre um Espírito malfeitor. Na possessão
pode tratar-se de um Espírito bom que queira falar e que, para causar maior
impressão nos ouvintes, toma do corpo de um encarnado, que voluntariamente lho
empresta, como emprestaria seu fato a outro encarnado. Isso se verifica sem
qualquer perturbação ou incômodo, durante o tempo em que o Espírito encarnado se
acha em liberdade, como no estado de emancipação, conservando-se este último ao
lado do seu substituto para ouvi-lo. (4)
8) Como o Espírito André Luiz analisa o afastamento do
obsessor?
De acordo com o Espírito André Luiz, devemos considerar: a)
obsedado e obsessor comungam um mesmo estado de alma, dificultando a
identificação da verdadeira da vítima, principalmente com a visão circunscrita
ao corpo terrestre; b) existem processos laboriosos de resgate, em que, depois
de afastados os elementos da perturbação e da sombra, perseveram as situações
expiatórias; c) diante do obsedado, fixam apenas um imperativo imediato,
afastamento do obsessor, mas, como rebentar, de um instante para outro, algemas
seculares forjadas nos compromissos recíprocos da vida em comum? (5)
Bibliografia Consultada
(1) O Livro dos
Médiuns, de Allan Kardec, capítulo 23.
(2) Evolução em
Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, capítulo 14.
(3) Missionários
da Luz, pelo Espírito André Luiz, capítulo 4.
(4) A Gênese, de
Allan Kardec, capítulo 14, item 48.
(5) Missionários
da Luz, pelo Espírito André Luiz, capitulo 17 e 18.
São Paulo, março de 2009.
1. O que são ondas?
Onda é uma partícula que se desloca com movimento oscilatório. Acontece, porém,
que ao deslocar-se provoca um “campo magnético”.
“À
falta de terminologia mais clara, diremos que uma onda é determinada forma de
ressurreição de energia, por intermédio do elemento particular que a veicula ou
estabelece”. (Espírito André Luiz)
2.
O que são percepções?
Em
Psicologia, é a função por meio da qual o espírito forma uma representação dos
objetos exteriores.
3.
Quais são os elementos importantes para a compreensão das ondas?
Período – É o tempo de uma oscilação, medida em segundos.
Freqüência – Número de oscilações executadas durante UM segundo. Quanto
maior a freqüência, mais ALTA é ela; quanto menor, mais BAIXA.
Amplitude – É medida pela distância maior ou menor de subida e descida numa
linha média.
Comprimento da onda – É a distância que medeia entre duas oscilações.
Crista – É o ponto máximo de uma oscilação.
4.
Quais são os tipos de ondas?
As
ondas podem ser classificadas da seguinte forma: 1) ondas longas
(superiores a 600 metros de comprimento); 2) ondas médias (variam entre
150 e 600 metros); 3) ondas curtas (variam entre 10 e 150 metros); 4)
ultra-curtas (todas as que forem menores do que 10 metros). Observação:
quanto mais curtas maior é o alcance.
5.
Que relação podemos estabelecer entre ondas amortecidas e o ser humano?
Em física, diz-se das ondas que atingem e deixam rapidamente um valor máximo
de amplitude (não se firmando em determinado setor vibratório).
No homem, são as produzidas por cérebros não acostumados à elevação
espiritual, mas que em momentos de aflição, proferem preces fervorosas. Não
conseguem sustentar-se em alto nível. Geralmente, falam que “suas preces não são
atendidas”.
6.
Quanto se pode captar do espectro eletromagnético?
O
espectro eletromagnético varia de 10-14
a 108 em comprimentos de ondas (metros). Os nossos olhos captam
apenas 1/70 (aproximadamente de 400 a 700 comprimentos de ondas em milimícrons)
desse total. Há, assim, ondas, vibrações, cores, sons que estão no universo e
não somos capazes de captar.
7.
Quais são os tipos de percepção mais comuns?
Percepção tátil, auditiva, visual, no tempo, no espaço, as decorrentes das
figuras ambíguas.
8.
Há diferença entre a percepção extra-sensorial e a percepção mediúnica?
A
percepção extra-sensorial é uma palavra cunhada por Rhine para designar a
percepção de um objeto independentemente dos órgãos do sentido. A percepção
mediúnica é a visão, audição e comunicação com um mundo que não é percebido
pelas vias sensoriais do encarnado.
9.
Relacione transe, transe mediúnico e mediunidade.
Transe é um estado de baixa tensão psíquica com estreitamento do campo da
consciência e dissociação.
Transe mediúnico. Considera-se em geral, auto-sugerido, uma forma de
auto-hipnose
Mediunidade é sintonia e filtragem. Toda a percepção é mental. Surdos e
cegos na experiência física, convenientemente educados, podem ouvir e ver,
através de recursos diferentes daqueles que são vulgarmente utilizados.
10.
Como podem ser as interferências no pensamento?
As
interferências construtivas podem ser interpretadas como os conselhos e
instruções dos benfeitores espirituais. As interferências destrutivas são as
influências menos felizes dos Espíritos imperfeitos e propensos ao mal.
São
Paulo, setembro de 2009
Sérgio Biagi Gregório
1) O que se entende por normalidade? E paranormalidade?
A normalidade é definida em função dos cinco sentidos
físicos: paladar, tato, audição, visão e olfato. Os acontecimentos, que escapam
a esses cinco sentidos, são catalogados como fenômenos paranormais. Entendamos a
diferença por um exemplo: suponha que tenha havido um incêndio em determinado
lugar. As pessoas que estavam no local viram o fenômeno normal. Suponha que uma
pessoa, que não tenha visto nem ouvido, mas teve acesso a essa informação por
vias não comuns. Este é um paranormal. Há a possibilidade de alguém prever ou
perceber este acontecimento de um lugar bem distante. Este também é classificado
como paranormal. (1)
2) Qual o limite entre o normal e o paranormal?
Questão de grau nem sempre fácil de precisar. O fenômeno
normal pertence aos cinco sentidos; o paranormal, a tudo o que escapa aos cincos
sentidos. O ser humano, contudo, possui muito mais do que cinco sentidos. Há a
percepção de movimentos musculares, de impressões de equilíbrio... Mais: a nossa
percepção não é apenas percepção, é também análise, reflexão, conceituação, o
que dificulta ainda mais limitar onde termina um e começa o outro.
3) Paranormalidade é sinônimo de mediunidade?
Sim e não. Quando a paranormalidade se refere à psicografia,
à xenoglossia e à materialização, estamos diante de um fenômeno mediúnico. Neste
caso, a resposta é sim. Quando a paranormalidade se refere à telepatia, à
clarividência e à premonição, estamos diante de um fenômeno anímico. Aqui, a
resposta é não. Observação: a maioria dos fenômenos analisado pela
parapsicologia é de cunho anímico e não mediúnico.
4) Desde quando os fenômenos paranormais foram englobados
pela parapsicologia?
Devido à falta de uniformidade dos fenômenos paranormais, o 1.º
Congresso Internacional de Parapsicologia, na cidade de Utrecht, em 1953,
adotou como oficial a nomenclatura de Thouless e Wiesner, que sugeriram englobar
todos os fenômenos paranormais, sob a designação genérica de fenômenos Psi (letra
grega). A palavra Psi aqui não tem qualquer relação direta com o termo grego
psyché (alma), mas, unicamente, com a 23a letra do
alfabeto grego. Desta forma, J. B. Rhine classificou os fenômenos de telepatia,
clarividência e pré e post-coginição (P.E.S.) como função "psi-gama", a
telecinesia, a teleplastia e a psicocinesia – dinamismo psíquico – como função "psi-kapa".
(2)
5) O que se entende por parapsicologia?
A parapsicologia é uma atividade de pesquisa concernente à
zona fronteiriça, ainda desconhecida ou mal conhecida, que separa os estados
psicológicos considerados como habituais e normais, dos estados excepcionais, ou
patológicos. Pretende, assim, colocar os fenômenos que estuda à margem da
psicologia, e também da patologia. Segundo Robert Amadou, "A parapsicologia
coloca em evidência o estudo experimental das funções psíquicas ainda não
incorporadas ao sistema da psicologia científica, com vistas à sua incorporação
nesse sistema ampliado me completado".
6) É confiável o uso de estatística para detectar o fenômeno
paranormal?
René Warcollier, parapsicólogo francês, disse que Rhine
renuncia, por método, a alcançar a ave rara do fenômeno no estado puro, com a
condição de se apoderar infalivelmente de algumas penas que demonstrem a
existência da ave. Observe o uso da telepatia em nossos trabalhos do Colégio de
Médium. Adivinhar números ou naipes do baralho é totalmente diferente de se
captar o problema da pessoa e, a partir daí, passar uma assistência espiritual.
7) Deve o médium, tal qual o paranormal, cobrar pelas suas
consultas?
A reportagem da Revista Superinteressante, de
julho de 2009, relata que Joseph McMoneagle cobra 250 dólares por hora de
trabalho, e a vidente Noreen Renier, 1.000 dólares por consulta. Para o
Espiritismo, a mediunidade deve ser gratuita, pois está fundamentada na frase
"dar de graça o que graça receber". O médium espírita deve ter consciência de
que não é nenhum missionário na acepção da palavra, mas um Espírito bastante
endividado, que reencarnou com a tarefa de redimir os seus erros do passado.
Para tanto, deve encaminhar para o bem, as pessoas que houvera desviado em
encarnações passadas. Cobrar por algo que não lhe pertence pode lhe trazer
conseqüências funestas, inclusive com a perda da própria mediunidade.
Fonte de Consulta
(1) FARIA, Osmard Andrade. O Que é
Parapsicologia. São Paulo: Abril Cultural, 1985. (Coleção Primeiros Passos,
27)
(2) ANDRADE, H. G. Parapsicologia
Experimental. 2. ed. São Paulo: Boa Nova, 1976.
São Paulo, julho de 2009.
Sérgio Biagi Gregório
1) O que é o perispírito?
Perispírito é o elo de ligação entre o Espírito e o corpo
físico. Tal qual a semente possui o perisperma, o Espírito, por comparação,
possui o perispírito.
2) Como se forma o perispírito?
O perispírito se forma do fluido universal de cada globo.
Conforme o teor evolutivo do Espírito, ele tomará, deste fluido, as partes mais
condensadas ou mais rarefeitas. Por esta razão, cada Espírito terá o seu
perispírito, com peso especifico próprio, diferente de todos os outros.
3) O perispírito tem forma?
A forma do perispírito é a forma humana. Contudo, ela pode
ser modificada conforme o arbítrio do Espírito.
4) Quando se vê um Espírito, vê-se o Espírito ou o
perispírito?
A vidência mostra a realidade do Espírito. É por ela que
aprendemos que o Espírito é sempre um todo e não pode estar separado do corpo
físico ou do corpo espiritual. Quando vemos um Espírito, vemo-lo com o seu
perispírito, pois é este que dá forma ao Espírito propriamente dito.
5) Por que a solução de muitos problemas de nossa vida está
no perispírito?
O perispírito é o molde do corpo físico. Ele pode ser
entendido como um campo mental do Espírito. Nesse campo mental estão registradas
todas as nossas ações passadas, tanto as boas quanto as más. Nesse sentido,
todos os excessos que cometermos nesta existência poderão danificar esse campo
mental. Numa próxima encarnação poderemos vir com ele manchado, como doença,
como uma prova a suportar etc.
6) Nos mundos mais evoluídos, o perispírito desaparece?
Não. Por uma simples razão: o universo é composto de dois
princípios, que são o Espírito e a matéria. Como o perispírito é matéria, por
mais tênue que se torne, ainda será matéria e fará parte do Espírito. É possível
que, por ser demasiado rarefeito, se pense que não exista mais matéria, que
tenha se extinguido.
7) Quando passamos de um mundo para outro, levamos o
perispírito?
Allan Kardec diz-nos que ao deixarmos, por exemplo, o
planeta Terra e reencarnarmos em Júpiter, deixamos o perispírito aqui e tomamos
outro do planeta Júpiter. Como isso é possível?
8) A sede da memória está localizada no Espírito ou no
perispírito?
No Espírito. Suponha, por exemplo, a mudança de perispírito.
Se deixarmos o nosso perispírito neste planeta e reencarnamos em outro, como
manteríamos a memória?
Fonte de Consulta
KARDEC, A. A Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo.
17. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.
KARDEC, A. O
Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
KARDEC, A. O
Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e dos Doutrinadores. São Paulo:Lake,
[s.d.p.]
São Paulo, fevereiro de 2009
Sérgio Biagi Gregório
1) O que se entende por prolegômenos?
Prolegômenos é o estudo preliminar, introdutivo e
simplificado. Segundo a etimologia grega, é o que é dito anteriormente:
introdução ou exposição preliminar antes do desenvolvimento de uma teoria.
2) O que Allan Kardec diz no início do seu prolegômenos?
Allan Kardec enfatiza que cabe à ciência espírita estudar os
fenômenos que a ciência natural não consegue explicar. A ciência natural não
consegue explicar, por exemplo, a existência de Espíritos. Allan Kardec, para
demonstrar a sua existência, reporta-se ao princípio de que "todo o efeito
inteligente tem como causa uma força inteligente". A seguir, diz que essa força,
quando evocada pode entrar em comunicação com os seres humanos.
3) O que se depreende das instruções dadas pelos Espíritos a
Allan Kardec?
Que a obra não seria de Allan Kardec, mas dos Espíritos. Por
isso, diz-se Doutrina dos Espíritos e não doutrina de Allan Kardec. Recordemos a
frase: "Ocupa-te, cheio de zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com
o nosso concurso, pois esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases de um novo
edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo
sentimento de amor e caridade. Mas, antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos,
a fim de lhe verificarmos todas as minúcias".
4) Quando deveria publicar a obra?
Tudo deve chegar a seu tempo. Os Espíritos superiores sabem
encaminhar os acontecimentos para que o fim (Doutrina dos Espíritos) seja
alcançado. Antes da publicação, incentivam o codificador a se fortalecer para
suportar as dificuldades que hão de vir, pois toda a ideia nova traz como
conseqüência contrariedades, confusões e lutas. Segundo a palavra dos Espíritos:
"Entre os ensinos que te são dados, alguns há que deves guardar para ti somente,
até nova ordem. Quando chegar o momento de os publicares, nós to diremos.
Enquanto esperas, medita sobre eles, a fim de estares pronto quando te
dissermos".
5) O que significa colocar o ramo da videira no cabeçalho do
livro?
O ramo da videira é a imagem perfeita da relação
Espírito-Matéria. Neste ramo estão os princípios fundamentais da Doutrina
Espírita, ou seja, a união do Espírito ao corpo físico, através do perispírito.
Nas palavras dos Espíritos: "Porás no cabeçalho do livro a cepa que te
desenhamos, porque é o emblema do trabalho do Criador. Aí se acham reunidos
todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito.
O corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é o
bago. O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante
o trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos".
6) Quais foram as advertências dos Espíritos em relação às
críticas?
Os Espíritos superiores, prevendo as críticas e, com elas, o
desencorajamento, municiaram-no de palavras de reconforto. Eles disseram: "...
Prossegue sempre. Crê em Deus e caminha com confiança: aqui estaremos para te
amparar e vem próximo o tempo em que a Verdade brilhará de todos os lados".
7) Por que os Espíritos de luz enalteceram a perseverança e a
humildade?
Os Espíritos de luz invocam a humildade e o desinteresse,
repudiando o orgulho e a ambição, pois quando o ser humano vale-se da religião
para atingir os seus interesses materiais e pessoais, põe por terra a sua ética.
É por isso que a humildade é o fundamento de todas as virtudes. Recomendam-lhe
também a perseverança, pois os frutos da Doutrina não apareceriam de imediato,
mas teriam conseqüências para gerações futuras.
8) Quais são os Espíritos que o auxiliaram?
São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de Paulo,
São Luís, O Espírito da Verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg
etc.
9) Que conclusão podemos tirar dos prolegômenos?
Allan Kardec, ao codificar a Doutrina Espírita, fugiu do
ESPÍRITO DE SISTEMA. O espírito de sistema é obedecer à ideia de um filósofo, de
um religioso, de um determinado pensador. Sabemos que todos eles, por mais apoio
que tenham recebido dos Espíritos de luz, são limitados. Quanto à Doutrina
Espírita, que é obra de diversos Espíritos e diversos médiuns espalhados por
todo o mundo, podemos ter certeza da impessoalidade das ideias veiculadas.
Estas foram as orientações dadas a Allan Kardec para que o
edifício doutrinário fosse construído sobre um arcabouço firme, tanto teórico
quanto prático. Deduz-se que, se a base é sólida, todo o conhecimento posterior
pode lhe ser acrescentado, sem ruí-la, mas fortificando-a.
Bibliografia Consultada
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec
São Paulo, abril de 2009.
Sérgio Biagi Gregório
1) O que é presciência?
É a previsão do futuro. Filos. Chamam os teólogos
presciência ao atributo pelo qual Deus conhece todas as coisas, ou ao
conhecimento que Deus tem de todo o presente, o passado e o futuro, não só no
que respeita ao Homem e a tudo que ao Homem concerne, mas também no relativo à
Natureza, seu curso, fenômenos duração etc. (Grande Enciclopédia Portuguesa e
Brasileira)
2) Como é possível o conhecimento do futuro?
No mundo espiritual, o espaço e a duração não existem para os
Espíritos. Contudo, a extensão e a penetração da vista são proporcionadas à sua
depuração e à elevação que alcançaram na hierarquia espiritual. Para o Espírito
desencarnado, os acontecimentos não se desenrolam sucessivamente, mas
simultaneamente. O Espírito vê, de relance, o começo e o fim do período. Desta
forma, todos os eventos que, nesse período, constituem o futuro para o homem da
Terra são presente para ele, que, por esta razão, poderia nos dizer que tal
coisa acontecerá em tal época.
3) Por que, então, o futuro nos é infenso?
Porque o conhecimento do futuro, tanto quanto a lembrança do
passado, poderia ser prejudicial à nossa evolução espiritual. Esse conhecimento
poderia nos travar o livre-arbítrio, prejudicando-nos o trabalho que nos cumpre
executar no bem. O desconhecimento do bem e do mal com que toparemos na vida
constitui o verdadeiro teste do nosso progresso.
4) Há futuro para Deus?
Para o Criador, o tempo não existe. Tanto o princípio quanto
o fim do mundo lhe são presente. Nessa linha de raciocínio, que é a duração da
vida de um ser humano, de uma geração, de um povo?
5) Se o futuro nos é infenso, qual a razão dos videntes?
Deus, na infinita bondade, permite que conheçamos o futuro,
desde que para isso haja um fim útil e necessário. Não deve ser simples questão
de curiosidade.
6) Como se dá a manifestação do futuro?
Pelo êxtase, pelo sonambulismo e pela fotografia do
pensamento. Explicação: a encarnação amortece a manifestação do espírito,
sem, contudo eliminá-la por completo, porque a alma não fica encerrada no corpo
como numa caixa. De acordo com sua capacidade, pode penetrar mais ou menos nas
questões do futuro.
7) É possível prever o futuro do Espiritismo?
Sim. Os Espíritos dizem que haverá um triunfo próximo, apesar
dos obstáculos. A previsão se torna fácil porque é obra deles. Acrescentam,
ainda, que tudo aquilo que estiver nos desígnios de Deus, acontecerá. Se aquele
que recebeu a missão falhar, outros tomarão o seu lugar, de modo que o fim seja
alcançado.
8) Por que razão as predições não têm cunho de certeza?
Para a contagem do tempo, precisamos pontos de referência. A
contagem varia para cada um dos mundos. Em Júpiter, por exemplo, os dias
equivalem a dez horas terrestres e os anos a mais de doze anos.
9) Como os Espíritos procedem em suas predições?
Para os Espíritos superiores, suas previsões são
advertências. Os Espíritos inferiores que, de tanto serem interrogados, acabam
fornecendo datas e lugares, o que pode gerar a mistificação.
10) O que falar das profecias de Nostradamus, do Apocalipse
de João e das diversas profecias verificadas ao longo da história da humanidade?
O Espírito Emmanuel, em A Caminho da Luz, coloca o
Profetismo e o Apocalipse na sua verdadeira dimensão, ou seja, na dimensão da
mediunidade. O Espírito Emmanuel retira da obscuridade o simbolismo e nos dá
uma interpretação científica, baseada na ascendência do Plano Espiritual sobre
as ocorrências históricas.
Bibliografia Consultada
GRANDE ENCICLOPÉDIA
PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d.
p.]
KARDEC, A. A
Gênese - Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. 17. ed. Rio de
Janeiro: FEB, 1975.
Maio de 2008
Sérgio Biagi Gregório
1) Qual o conceito de reencarnação? É possível separar
encarnação de reencarnação?
Reencarnação (re + encarnação) significa
voltar a entrar na carne. A reencarnação é a volta do Espírito à vida corpórea,
mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o
antigo. Pode-se falar também que é a doutrina da pluralidade e da unidade das
existências corpóreas, isto é, do nascimento ou renascimento de Espíritos tanto
na esfera terrena como na de outros planetas.
A diferença entre encarnação e reencarnação, caso fosse
necessária, seria esta: a encarnação é ato de o Espírito tomar a carne; a
reencarnação, a doutrina do fato.
Rigorosamente, a encarnação seria a primeira encarnação do
Espírito; a reencarnação, a segunda. E, pelo fato da partícula Re haver
perdido a sua força reduplicativa, significaria os demais nascimentos. (Paula,
1976)
Observação: Allan Kardec emprega os termos encarnação e
reencarnação como sinônimos.
2) As plantas reencarnam? E os animais?
Reencarnação é a volta do Espírito em um novo corpo. As
plantas não têm consciência de si, elas não pensam, não têm mais do que a vida
orgânica. Elas não têm um Espírito, por conseguinte, não há razão para
empregarmos o termo reencarnação quando nos referirmos a elas.
Os animais, ao contrário, possuem um princípio espiritual,
que tem individualidade e sobrevive ao corpo. Mesmo não tendo consciência de si,
podemos usar o termo reencarnação, pois essa individualidade, em atendimento à
lei de evolução, pode tomar outros corpos.
Pergunta 597. Pois se os animais têm uma inteligência que
lhes dá certa liberdade de ação, há neles um princípio independente da matéria?
— Sim, e que sobrevive ao corpo.
Pergunta 597A. Esse princípio é uma alma semelhante à do
homem?
— É também uma alma, se o quiserdes; isso depende do sentido
em que se tome a palavra; mas é inferior à do homem. Há, entre a alma dos
animais e a do homem tanta distância quanto entre a alma do homem e Deus.
(Kardec, 1995)
3) Podemos reencarnar em outros mundos? O que acontece com o
perispírito?
Sim. Baseando-nos na teoria da pluralidade das existências e
dos mundos habitados, o Espírito pode reencarnar em qualquer um desses mundos.
Emigrando da Terra, o Espírito deixa aí o seu invólucro fluídico (perispírito) e
forma outro apropriado ao mundo onde vai habitar.
Pergunta 187. A substância do perispírito é a mesma em todos
os globos?
— Não; é mais eterizada em uns do que em outros. Ao passar de
um para outro mundo, o Espírito se reveste da matéria própria de cada um, com
mais rapidez que o relâmpago. (Kardec, 1995)
4) Qual o limite da encarnação?
O limite da encarnação é a perfeição do Espírito. Enquanto
não o conseguir, fará tantas encarnações quantas forem necessárias, pois a
benevolência de Deus é infinita. Importa-nos aproveitar bem esta encarnação.
Pergunta 186. Há mundos em que o Espírito, deixando de viver
num corpo material, só tem por envoltório o perispírito?
— Sim, e esse envoltório torna-se de tal maneira etéreo que
para vós é como se não existisse; eis então o estado de Espíritos puros.
Pergunta 186A. Parece resultar daí que não existe uma
demarcação precisa entre o estado das últimas encarnações e o do Espírito puro?
— Essa demarcação não existe. A diferença se dilui pouco a
pouco e se torna insensível, como a noite se dilui ante as primeiras claridades
do dia. (Kardec, 1995)
5) Quais são os objetivos da encarnação dos Espíritos?
1) Expiação — Expiar significa remir, resgatar, pagar. A
expiação, em sentido restrito consiste em o homem sofrer aquilo que fez os
outros sofrerem, abrangendo sofrimentos físicos e morais, seja na vida corporal,
seja na vida espiritual.
2) Prova — Em sentido amplo, cada nova existência
corporal é uma prova para o Espírito. A prova, às vezes, confunde-se com a
expiação, mas nem todo sofrimento é indício de uma determinada falta. Trata-se
freqüentemente de simples provas escolhidas pelo espírito para acabar a sua
purificação e acelerar o seu adiantamento. Assim, a expiação serve sempre de
prova mas a prova nem sempre é uma expiação.
3) Missão — A missão é uma tarefa a ser cumprida pelo
Espírito encarnado. Em sentido particular, cada Espírito desempenha tarefas
especiais numa ou noutra encarnação, neste ou naquele mundo. Há, assim, a missão
dos pais, dos filhos, dos políticos etc.
4) Cooperação na Obra do Criador — Através do trabalho,
os homens colaboram com os demais Espíritos na obra da criação.
5) Ajudar a Desenvolver a Inteligência — a necessidade de
progresso impele o Espírito às pesquisas científicas. Com isso a sua
inteligência se desenvolve, sua moral se depura. É assim que o homem passa da
selvageria à civilização.
6) Há diferença entre reencarnação e palingenesia?
A palavra palin significa "novamente", "outra vez",
"de volta". Palingenesia é o suposto regresso à vida, depois da morte
real ou aparente. A palingenesia – não é apenas reencarnação –, pois não se
aplica somente à vida orgânica. Em O Livro dos Espíritos, há uma
constante afirmação de que tudo se encadeia no Universo.
Final da pergunta 540 — "É assim que tudo serve, tudo se
encadeia no Universo, desde o átomo primitivo até o Arcanjo, pois ele mesmo
começou pelo átomo". (Kardec, 1995)
A reencarnação, por seu turno, refere-se à vida orgânica,
principalmente a vida humana.
7) É possível provar a reencarnação de um Espírito? Como?
Sim. O Dr. Ian Stevenson, diretor do Departamento de
Psiquiatria e Neurologia da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, nos
Estados Unidos da América, catalogou mais de 2.000 casos, principalmente de
crianças, que espontaneamente manifestavam as suas recordações. Tomou, contudo,
o cuidado de enfatizar que eram "casos sugestivos de reencarnação" e não a
reencarnação propriamente dita. Tendo em mãos o relato das recordações, partia
para as pesquisas em cartório de registros civis, jornais e pessoas que tinham
convido com esse Espírito numa encarnação passada. (Stevenson, 1971)
8) Como interpretar a frase: "Aquele que não nascer de novo
não pode ver o reino de Deus"?
Esta frase comporta duas posições:
1.ª) Refere-se à reencarnação, pois quem não nascer de novo
(entrar em outro corpo) não pode ver o reino de Deus. Ou seja, há necessidade de
várias encarnações para podermos acrisolar o nosso espírito imortal.
2.ª) "Nascer de novo" pode referir-se à mudança
comportamental, em que somente adquirindo novos hábitos de conduta, podemos
vislumbrar um outro mundo, o mundo espiritual.
9) A partir de quando o cristianismo deixou dar crédito à
reencarnação?
Até o Concílio de Nicéia, em 325, quando o imperador
Constantino esforçou-se por fazer condenar esta crença, pois tinha muitos
pecados na consciência, a reencarnação era norma vigente. São Justino fala,
inclusive, que "a alma habita mais de uma vez um corpo humano".
Só em 543, no V Concílio Ecumênico de Constantinopla, sob a pressão do
imperador Justiniano, é que o anátema foi lançado pela Igreja, sobre um certo
número de proposições de Orígenes acerca da reencarnação: "as almas podiam
voltar à Terra por cansaço da contemplação divina ou esfriamento do amor de
Deus, e que eram reenviadas para os corpos como castigo". O reencarnar por amor
ao próximo não foi excluído. (Crolard, 1979)
11) A reencarnação é um dos princípios fundamentais do
Espiritismo? Por quê?
Se Deus não existisse, teríamos de criá-lo. Do mesmo modo, se
a reencarnação não existisse, teríamos de inventá-la. Sem a reencarnação, como
poderíamos responder às seguintes questões: Por que uns nascem sãos e outros
doentes? Por que uns são inteligentes e outros ignorantes? Por que uns são ricos
e outros pobres?
Bibliografia Consultada
CROLARD, Jean-Francis. Renascer
Após a Morte. Tradução de Antonio Manuel de Almeida Gonçalves. _____:
Europa-América, 1979 (?)
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos.
8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
PAULA, J. T. Dicionário
Enciclopédico Ilustrado de Espiritismo, Metapsíquica e Parapsicologia. 3.
ed. São Paulo: Bels, 1976.
STEVENSON, I. 20
Casos Sugestivos de Reencarnação. São Paulo, Difusora Cultural, 1971.
São Paulo, abril de 2008
Sérgio Biagi Gregório
1) O que se entende por romance?
1. Narração verdadeira ou falsa, escrita em prosa ou verso.
2. Narrativa de fatos imaginários dispostos com verossimilhança, formando uma
história fictícia. 3. Enredo de coisas falsas ou inacreditáveis. 4. Objeto
imaginário; fantasia; urdidura fantástica do espírito.
Há, ainda, o romance de costumes, o romance
didático, o romance épico e o romance familiar (Psicanálise).
(1)
2) O que se entende por romance mediúnico?
O móvel dos romances espíritas é a propaganda da Doutrina por
meio suave e convidativo, tributando os Instrutores Espirituais grande apreço a
essas obras, por julgá-las imensamente úteis em virtude dos exemplos vivos
oferecidos aos leitores.
O Espírito Adolfo Bezerra de Menezes, em Dramas da
Obsessão, classifica os romances espíritas de similares das parábolas
messiânicas, visto serem eles extraídos da vida real do homem, enquanto as
parábolas igualmente foram inspiradas ao Divino Mestre pela vida cotidiana dos
galileus, dos judeus e de suas azáfamas diárias. (2)
3) Todo romance mediúnico é romance espírita?
Não. Para que um romance mediúnico seja cognominado romance
espírita é preciso que o teor de seus relatos, fictícios ou verdadeiros,
ajustem-se aos imperativos do corpo doutrinário do Espiritismo. Sem esse
cuidado, os romances acabam entrando no rol do Espiritismo, prejudicando o bom
entendimento dos princípios fundamentais da Doutrina Espírita. Neste particular,
temos que diferenciar aqueles eminentemente anímicos, em que a maioria das
informações saiu da cabeça do próprio médium, e aqueles em que houve um empenho
intenso do Espírito comunicante.
4) Como nos portarmos diante de um romance?
Num romance, há o aspecto emotivo, o aspecto histórico e o
aspecto doutrinário. É preciso buscar, em cada uma dessas leituras, a instrução
doutrinal. Os que estão sendo introduzidos no Espiritismo, através do romance,
ainda terão alguma dificuldade para discernir esses aspectos. Aqueles, porém,
que já estão inseridos nas práticas espíritas, têm de primar pela divulgação
correta dos princípios espíritas.
5) Que tipo de erro é mais freqüente na leitura de um
romance?
É transformar em universal o que é particular. O fato narrado
pode ser verdadeiro; ele não tem, contudo, o poder de se tornar geral. O rigor
drástico, em muitos deles, para com a lei de ação e reação não necessariamente é
uma tese geral. Há muitos atenuantes e agravantes que estão muito além do fato
narrado.
6) Que críticas podemos fazer aos romances?
Em muitos romances, há o abuso de descrições minuciosas de
crimes hediondos cometidos pelos personagens, ou de abusos de poder, desfilando
em páginas e mais páginas imagens sanguinolentas e brutais. Há, também, casos em
que as informações prestadas pelos autores espirituais estão em desacordo com os
registros históricos. (3) No site Orientação Espírita: o Espiritismo
iluminando a vida (http://www.orientacaoespirita.org/index.htm),
há a crítica literária de diversos livros espíritas.
7) Quais são os cuidados do médium psicógrafo?
Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, chamou a nossa
atenção para as conseqüências do médium fascinado, que dá guarida aos Espíritos
brincalhões, pseudo-sábios, mistificadores e interessados unicamente em combater
o Espiritismo. Ele diz:
"A fascinação tem conseqüências muito mais graves. É uma
ilusão produzida pela ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e
que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações.
O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte
de lhe inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o
absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente.
A ilusão pode mesmo ir até ao ponto de o fazer achar sublime a linguagem mais
ridícula. Fora erro acreditar que a este gênero de obsessão só estão sujeitas as
pessoas simples, ignorantes e baldas de senso. Dela não se acham isentos nem os
homens de mais espírito, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros
aspectos, o que prova que tal aberração é efeito de uma causa estranha, cuja
influência eles sofrem". (4)
Bibliografia Consultada
(1) GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio
de Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.]
(2) EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de
Janeiro: FEB, 1995.
(3)
http://www.orientacaoespirita.org/critica.htm
(4) KARDEC, A. O Livro dos Médiuns ou Guia dos Médiuns e
dos Doutrinadores. São Paulo:Lake, [s.d.p.], capítulo 23, item 239, p. 228.
São Paulo, julho de 2009.
1. O que significa a palavra sacrifício?
Sacrifício – Do latim sacrificium significa o que está
relacionado ao ato de fazer com que alguma coisa se torne sagrada. Sacrificar é
converter em sagrado o objeto que será dado em oferta. É o ato principal de todo
culto religioso; é a oferta feita à divindade em certas cerimônias solenes.
Sacrificar-se é crescer; quem cede para os outros adquire para si mesmo.
2. Como o sacrifício pode ser visto no processo histórico?
Na Antiguidade, os sacrifícios de animais, crianças, virgens
e prisioneiros de guerra eram corriqueiros. No Antigo Testamento, os sacrifícios
eram considerados dons sagrados. Abraão, por exemplo, por ordem de Deus, quis
imolar o seu filho Isaac em holocausto e que depois foi substituído por um
carneiro. No Novo Testamento, a instituição antiga dos sacrifícios cede lugar ao
sacrifício pela Cruz do Cristo. Numa acepção mais contemporânea, há o holocausto
alemão praticado ao povo judeu.
3. O que simboliza a morte de Cristo na Cruz?
A morte de Jesus na Cruz representa o móvel da redenção da
Humanidade. Por isso, dizemos que Ele é o "Mestre por excelência:
ofereceu-se-nos por amor, ensinou até o último instante de sua vida, fez-se o
exemplo permanente em nossos corações e nos paroxismos da dor, pregado no
madeiro ignominioso, perdoou-nos as defecções de maus aprendizes". (Equipe da
FEB)
4. Qual o significa simbólico da cruz?
O símbolo da cruz, em que juntam o céu e a terra, foi
enriquecido prodigiosamente pela tradição cristã, condensando nessa imagem a
história da salvação e a paixão do Salvador. A cruz simboliza o Crucificado, o
Cristo, o Salvador, o Verbo, a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Ela é mais
do que uma figura de Jesus, ela se identifica com sua história humana, com a sua
pessoa. Enquanto no passado havia o "olho por olho e dente por dente", Jesus
ensinou-nos a oferecer a outra face, quando numa delas alguém nos batesse.
Enquanto no passado ofereciam-se animais, crianças, alimentos, Jesus oferece-nos
um único mandamento: cada qual deve carregar a sua cruz.
5. Por que deve se sacrificar o adepto sincero do
cristianismo?
É que toda a ideia nova custa a aclimatar no coração humano.
Observe a sentença: "Não vim trazer a paz, mas a espada". Ela ainda não foi
entendida. Jesus não nos convidou a guerrear com os nossos semelhantes;
advertiu-nos, sim, que a sua doutrina traria cisões, porque os que não
compreendessem o Novo Mandamento poderiam entrar em contradição com o seu pai, o
seu filho, a sua esposa e os seus vizinhos.
6. No que se fundamenta a coragem para o sacrifício?
A coragem para o sacrifício fundamenta-se no deixar o
conhecido, o lugar conquistado, a comodidade do pensamento vulgar para se
aventurar na busca de novos ensinamentos, novas experiências e novos rumos na
vida. "A coragem para o sacrifício está em acreditar poder de novo outra vez.
Poder sempre inaugurar um novo sentido, ou mesmo repetir o feito e de novo
realizar. É dispor-se à vida que se vive e se realiza vivendo, e compreender que
nesse jogo de viver e realizar jogar o incerto e o inesperado, e que assim devem
ser acolhidos". (Pizzolante, 2008, p. 188)
7. O sacrifício é auto-imposição?
Não. O sacrifício não é auto-imposição, mas uma disposição
para a abnegação, que é o afastar-se da arrogância do ficar no já conquistado. O
sacrifício assemelha-se à dor do parto, pois a mãe sofre, mas em seguida vê o
rebento vir à luz, que lhe dá grande alegria. Em nosso caso, o parto refere-se à
ideia nova, tal qual Sócrates fazia na Antiguidade, quando ensinava na praça
pública. Sadi, por outro lado, dizia-nos: "A paciência é uma planta de raízes
assaz amargas, mas de frutos dulcíssimos".
8. Como analisar o ressentimento?
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan kardec
ensina-nos que o sacrifício mais agradável a Deus é o do Ressentimento. Ele
expressa o pensamento da seguinte forma: "Antes de se apresentar a ele para ser
perdoado, é preciso ter perdoado, e que, se cometeu injustiça contra um dos seus
irmãos, é preciso tê-la reparado; só então a oferenda será agradável, porque
virá de um coração puro de todo o mau pensamento" (1984, cap. X, p.134.) Em
outras palavras, antes de entrarmos no templo do Senhor devemos purificar o
nosso coração, porque assim teremos mais condições de entrar em perfeita conexão
com os Espíritos superiores e deles receber inspirações para as nossas boas
ações.
9. Qual é o sacrifício mais agradável a Deus?
O melhor sacrifício ainda não é a morte pelo martírio, ou
pelo infamante opróbrio dos homens, mas aquele que se realiza com a vida
inteira, pelo trabalho e pela abnegação sincera, suportando todas as lutas na
renúncia de nós mesmos, para ganhar a vida eterna de que nos falava o Senhor em
suas lições divinas. (Equipe da Feb)
10. O médium deve se sacrificar?
O trabalhador da seara mediúnica não raro registrará as
seguintes questões: por que o meu caminho é de sofrimento? Por que a minha vida
está repleta de dor? Onde estão os benfeitores espirituais? Por que eles não vêm
aliviar as minhas amarguras? Lembremo-nos de que Jesus ensinou que a cruz é o
símbolo da redenção do cristão. Os mensageiros de luz vêm apenas estimular as
nossas ações dizendo que deveríamos pegar a nossa cruz e caminhar com ela, tanto
quanto forem os passos que a divindade nos impuser. E por maior sejam os
sacrifícios que teremos de suportar, não cortemos um pedaço dela, porque poderá
fazer falta quando tivermos que usá-la como ponte para atravessar o rio.
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ENCICLOPÉDIA LUSO-BRASILEIRA DE CULTURA. Lisboa: Verbo, [s.
d. p.]
EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro:
FEB, 1995.
GRANDE ENCICLOPÉDIA PORTUGUESA E BRASILEIRA. Lisboa/Rio de
Janeiro: Editorial Enciclopédia, [s.d. p.].
PIZZOLANTE, Romulo. A Filosofia e a Coragem para o
Sacrifício. In: MEES, L. e PIZZOLANTE, R. (org.). O Presente do Filósofo:
Homenagem a Gilvan Fogel. Rio de Janeiro: Mauad X, 2008.
São Paulo, agosto de 2009
Sérgio Biagi Gregório
1) O que significa a palavra teoria?
O termo teoria – do grego theoria – é usado em
várias acepções. Na Origem, designava o ato de ver e de ser visto em locais
abertos a todos, tais como o templo, o circo, a ágora e em espetáculos e
cerimônias públicas. Pode ser também a ação de contemplar, ter uma visão do
espírito. Os gregos, de maneira nenhuma opunham, como hoje, teoria e prática. O
conhecimento teórico, em toda a antiguidade clássica grega, era entendido como a
contemplação da verdade (aletheia) em si mesma. A supremacia do
conhecimento teórico sobre o prático ou técnico provém do fato de ele ser útil
em si mesmo, independentemente de sua aplicação exterior.
2) Qual a relação, hoje, entre teoria e prática?
Hoje, o vocábulo teoria é usado, as mais das vezes,
como oposição a prática, a ponto de muitas pessoas dizerem que "a teoria na
prática é outra". Com isso, não são poucos os pensadores que acabam dando mais
importância à prática do que à teoria. Os homens práticos, ou seja, aqueles que
estão à frente de atividades empresariais e governamentais ganham cada vez mais
notoriedade, principalmente pelas suas aparições nos veículos de comunicação de
massa.
3) Onde se encontra a teoria espírita?
A teoria espírita encontra-se na obras básicas – O Livro
dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, A Gênese, O Céu e
Inferno e O Evangelho Segundo o Espiritismo, e nas obras
complementares, mediúnicas e não mediúnicas.
4) Qual a relação entre teoria e prática no Espiritismo?
Anotemos algumas frases: "você fez todos os cursos que o
Centro oferece e nunca trabalhou?"; "você terminou o curso de Educação Mediúnica
e ainda não trabalha?"; "você precisa trabalhar, senão será presa fácil de
Espíritos menos felizes"; "você precisa aplicar passes senão as suas energias
ficam paralisadas"; "as suas dores nas costas são devido à energia acumulada.
Aplique passes e os seus problemas serão resolvidos". Em vista disso, parece-nos
que a maioria está mais preocupada com a prática do que com a teoria. Dá-se a
impressão de quem não aplica passes, não participa de um trabalho de desobsessão
não é espírita.
5) O que deve vir primeiro: a prática ou a teoria?
A teoria deve sempre vir antes, porque é dela que as ideias
emergem e se estabelecem os princípios de uma doutrina, de uma ciência ou de um
sistema filosófico. José Herculano Pires adverte-nos que todos aqueles que se
dizem espíritas deveriam, em primeiro lugar, debruçar-se sobre as obras básicas,
que são os fundamentos teóricos para as nossas ações práticas. Sem elas, o
edifício espírita pode ruir.
6) Como obter um embasamento teórico sustentável?
Aplicar o raciocínio lógico é bastante importante para termos
convicção dos pressupostos espíritas. Dada uma afirmação qualquer, podemos
colocá-la sob o crivo da razão e da lógica. Recentemente, deparamo-nos com a
seguinte afirmação: "Não há amor sem perdão". A frase, a princípio, parece não
ter nenhuma irregularidade. Pensando melhor sobre a mesma, podemos dizer que "O
amor implica o perdão". Em outras palavras, para que haja amor, há necessidade
do perdão. Tomemos a descrição do amor em O Evangelho Segundo o Espiritismo:
O amor resume toda a doutrina de Jesus,
porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos
elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem
só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais
instruído e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do
sentimento. Não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior,
que reúne e condensa em seu foco ardente todas as aspirações e todas as
revelações sobre-humanas. A lei do amor substitui a personalidade pela fusão
dos seres e extingue as misérias sociais. Feliz aquele que, sobrelevando-se
à humanidade, ama com imenso amor os seus irmãos em sofrimento! Feliz aquele
que ama, porque não conhece as angústias da alma, nem as do corpo! Seus pés
são leves, e ele vive como transportado fora de si mesmo. Quando Jesus
pronunciou essa palavra divina, — amor — fez estremecerem os povos, e os
mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo. (1)
Neste texto, o amor não precisa do perdão. O amor basta a si
mesmo. O amor não é renúncia, não é sacrifício, porque quem ama faz tudo
desinteressadamente.
(1) KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39.
ed. São Paulo: IDE, 1984, capítulo XI, item 8 (Instruções do Espíritos: A Lei
do Amor).
São Paulo, janeiro de 2009
1) O que se entende por vicio?
Vício é o defeituoso, o que se desvia do bom
caminho. Na ética, é a disposição habitual a um gênero de conduta,
considerada vituperável, como imoral. É o contrário de virtude. É o
hábito mau em oposição à virtude, que é o hábito bom. Imperfeição, defeito
que torna uma pessoa ou coisa imprópria para o fim a que se destina.
2) Como o vicio é visto no contexto do Velho e do Novo
Testamento?
No âmbito do Velho Testamento, Job diz que se
torna necessário dirigir o coração para Deus e afastar da vida a
iniquidade e a injustiça, a fim de fugir aos vícios, tais como, a mentira,
a fraude, o adultério etc. No contexto do Novo Testamento, há a
enumeração, feita por Cristo, dos vícios que têm a sua raiz no coração: os
maus pensamentos, os homicídios, os adultérios.
3) O vício representa uma deficiência moral?
Ao longo do tempo, o conceito de vício tem se debatido
com o de doença. A medicina contrapõe-se à tese de que o vício é um estado
condicionado, que pode ser descondicionado pelas técnicas psicológicas.
4) Em se tratando dos vícios sociais, qual o mais
letal?
Não resta dúvida que é tabagismo, pela dependência do
fumante à nicotina. Esta dependência causa problemas graves de saúde,
principalmente a enfisema pulmonar.
5) Como anda o tabagismo no Brasil?
De acordo
com a Pesquisa Especial de Tabagismo realizada pelo IBGE e pelo Ministério
da Saúde, entre 1989 e 2008 o percentual da população brasileira fumante
com 15 anos ou mais caiu de 32% para 17,2%. O estudo revela ainda que
52,1% dos fumantes planejavam deixar o vício. Estima-se que o cigarro e
outros derivados do tabaco sejam responsáveis por cerca de 200 mil óbitos
por ano no Brasil. (1)
6) Quais são as características do viciado em drogas?
A Organização Mundial da Saúde (1981) propôs as
seguintes:
— compulsão subjetiva a ingerir droga;
— desejo de suspender o consumo embora a ingestão
continue;
— padrão estereotipado, inflexível, de ingestão;
— adaptação dos sistemas nervosos afetados pela droga,
levando à tolerância dos seus efeitos e sintomas de supressão quando a
droga é suspensa;
— prioridade do comportamento de busca da droga sobre
todas as outras atividades;
— rápido restabelecimento da síndrome quando se quebra
um período de abstinência.
7) Eliminando-se as drogas, elimina-se o
problema?
De acordo com Jandira Masur, em O Que é
Toxicomania, Coleção Primeiros Passos, 91, tenta-se resolver um
determinado problema pelo tripé: agente, hospedeiro e ambiente.
No caso da tuberculose, o agente é o bacilo de Koch, o
hospedeiro é o homem. Dependendo do ambiente, a tuberculose
pode ou não manifestar-se. Eliminando-se o agente (bacilo de Koch),
resolve-se o problema. Teoricamente deveria funcionar também no caso das
drogas. Acontece que as drogas não são vírus nem bactérias. Assim, o homem
é ao mesmo tempo o hospedeiro e o agente. Observe a Lei
Seca, implantada nos Estados Unidos, entre 1919 e 1933. Diz-se que nunca
se bebeu tanto quanto naquela época.
8) Relacione vício e
liberdade.
O vício, seja de que
espécie for, é uma ação contrária à do bem. De acordo com a lei natural,
toda ação que é contrária à do bem deve ser refeita para atingir o seu
fim, que é o progresso do Espírito. Nesse caso, a prática do bem amplia a
liberdade e o vício a restringe. O tempo gasto na reparação de uma má ação
é o que se perde no progresso moral e espiritual.
9) Disfarçar o vício é um
vício?
Sim. Muitas vezes dizemos
que a gula é sinônimo de necessidade proteínica; a lascívia,
de necessidade fisiológica. A ira é embelezada com a expressão:
"cólera sagrada"; a cobiça é encoberta com a desculpa da
previdência.
10) Que tipo de erro
comete o ser humano na sua intenção de combater o vício?
É combater a causa pelo
efeito. Somente quando tomamos consciência do móvel que produz a ação é
que podemos ter segurança na eliminação do efeito. Na realidade, não somos
nós que deixamos os vícios; são eles que, desprovidos da nossa atração,
deixam-nos.
11) Dentre os vícios, qual
o mais radical?
De acordo com a Doutrina
Espírita, o egoísmo é o mais radical dos vícios. Dele deriva o mal.
É sobre ele que o ser humano deve envidar todos os esforços. O egoísmo é a
verdadeira chaga da sociedade. "Quem nesta vida quiser se aproximar da
perfeição moral deve extirpar do seu coração todo sentimento de egoísmo,
porque é incompatível com a justiça, o amor e a caridade: ele neutraliza
todas as outras qualidades". (2)
(1)
Página Einstein em 10/05/2010.
(2) Pergunta 913 de O
Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.
São Paulo, maio de 2010.
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Divinas ou Naturais, por Sérgio Biagi Gregório
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